Comentando a Notícia
O Artigo a seguir foi escrito por Marcus Pestana e publicado no jornal O Globo, mas poderia ser escrito por qualquer brasileiro com um pouco de senso crítico e que, olhando para o Brasil de agora, se soma ao exército de indignados, crescente a cada dia, com um governo que, estando no poder há dez anos, conseguiu colocar na indigência os serviços públicos mais básicos, instituiu a corrupção como costume político ordinário, e tem feito um enorme esforço para o país deixar a economia em estado permanente de estagnação, sem contar que, de forma negligente e cínica ignorar o retorno da inflação, flagelo que fez do Brasil uma das nações mais desiguais do mundo. E, se não bastasse toda esta porcaria, em nome da proteção aos seus bandidos de estimação, tenta construir uma crise institucional absurda entre os poderes, Em seguida voltaremos para comentar.
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O rebaixamento do chamado Custo Brasil é objetivo comum de todos aqueles que identificam a melhoria do ambiente de competitividade como elemento essencial na conquista de um crescimento econômico mais vigoroso e sustentado.
Depois de sinalizar uma presidência mais atenta à “liturgia do cargo”; após posar de faxineira da corrupção, imagem transformada em pó pelo “Rosegate”; depois de tentar reafirmar a figura da “gerentona” mais preocupada com gestão e resultados, o que não resistiu ao baixo desempenho do PAC ou ao PIB raquítico de 2012; Dilma nos patrocina um fim de ano recheado de trapalhadas em torno dos royalties do petróleo e do novo marco legal do setor elétrico.
A máscara caiu. Como inadvertidamente confessou a ministra encarregada da articulação política do governo: “Dilma nunca desceu do palanque.” E isto ficou claro na desastrosa condução da MP 579 do setor elétrico.
A ação do Governo, neste caso, é uma mistura explosiva de irresponsabilidade, demagogia, autoritarismo, incompetência e manipulação da verdade.
Numa única tacada, o Governo federal conseguiu que o conjunto do setor elétrico perdesse mais de 30 bilhões de reais em valor de mercado; que movimentos especulativos na bolsa promovessem brutais transferências de renda; que investidores ficassem assustados e reavaliassem sua intenção de investir no Brasil, comprometendo o programa de concessões e parcerias tão necessário; que se cristalizasse a percepção de que o Governo não respeita a economia de mercado, acionistas minoritários, CVM, nem nada. Haja irresponsabilidade!
O lado demagógico transparece quando se tenta esconder a incapacidade política do governo atrás de uma falsa contradição entre os que supostamente estariam defendendo as empresas e aqueles que estariam ao lado do consumidor.
Como distribuir ovos de ouro, matando a galinha dos ovos de ouro? Já disse certa vez JK: “Energia cara é a que não se tem.”
O autoritarismo fica patente na falta de diálogo com os governadores, com as direções de operadoras de energia, com o Congresso e com a sociedade.
O próprio uso de uma MP é absurdo. O Governo está transformando em rotina a mania de acenar com chapéu alheio, de forma unilateral, no mais apurado estilo do “presidencialismo imperial de cooptação”.
Porque antes não reverteu a incidência do PIS e do Cofins ou eliminou encargos como RGR, CDE e CCC. É mais fácil transferir o ônus para os estados já tão estrangulados.
A incompetência vem à tona na construção de um nebuloso e preocupante horizonte de médio e longo prazo em setores essenciais. No crescimento, nosso voo de galinha se deve principalmente à baixa taxa de investimento (18,7% do PIB).
Precisamos de investimentos privados, já que a poupança pública é limitada. Mas estamos fazendo gols contra ao exalar insegurança jurídica, brincar com a estabilidade regulatória e zombar da dinâmica de mercado. O desabastecimento e os apagões serão o preço. E quem alerta é o insuspeito professor Luiz Pinguelli Rosa.
Por último, a mentira como método. Não esclarecer que o cidadão-contribuinte vai ter que subsidiar o cidadão-consumidor de energia ou tentar partidarizar a questão aproveitando-se de uma mera coincidência de todo o potencial hidrelétrico estar concentrados em Minas, São Paulo e Paraná, eventualmente governados por tucanos, não é boa prática.
O PSDB quer a queda das tarifas de energia. Mas deseja também atrair investimentos, fortalecer a capacidade produtiva, respeitar a Federação, a sociedade e o mercado, defender a democracia e o diálogo como caminho e a verdade como valor.
O maior ativo de um governo é sua credibilidade. A confiança em Dilma sai gravemente arranhada neste episódio.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Independentemente de Marcus Pestana ser político, (é deputado federal do PSDB mineiro), seu artigo vai de encontro a tudo o que este blog vem defendendo e criticando quanto a atuação do governo Dilma. Aliás, seu diagnóstico preciso representa em essência ao que boa parte da opinião pública também vem sustentando.
Se de um lado, por ter recebido uma herança cruel dada a irresponsabilidade fiscal do governo Lula, principalmente em seus dois últimos, em que sua obsessão em eleger sua sucessora se colocou acima até dos próprios interesses do país, por outro, pela ação calcada em autoritarismo – pela absoluta falta de habilidade política - conjugado com uma visão de Estado ultrapassada, retrógrada, diria caquética, estão sepultando o pouco de modernismo que o Brasil havia adquirido.
A continuar nesta marcha – quanta falta faz um bom projeto de país, meu Deus? – Dilma pode até se reeleger, afinal num país em que dois terços de sua população ganham salários miseráveis, é semianalfabeta e, em consequência, completamente desinformado e sem visão crítica de futuro, esta reeleição de Dilma nem chegaria a surpreender. Mas tal não significa que tenha feito um bom governo, tanto provam no mesmo índice de aprovação e popularidade, os péssimos conceitos recebidos pelos serviços públicos os quais, acrescente-se, são de sua exclusivamente responsabilidade.
Mas sua reeleição para um novo mandato de quatro anos, coloca o Brasil numa terrível encruzilhada como bem lembrou o jurista Ives Gandra Martins, no artigo com que encerramos a edição deste domingo. É que, se a presidente não alterar profundamente seus métodos, atitudes e formas de atuação à frente do Executivo Federal, poderá transferir para seu sucessor uma herança muito pior do que a que recebeu de Lula.
O Brasil pode reagir e se recuperar do verdadeiro naufrágio que foram estes dois primeiros com Dilma na presidência? Claro que sim, sempre afirmamos que, dada à sua riqueza e a força empreendedora do povo brasileiro, conseguíamos crescer apesar dos péssimos governos que já tivemos.
Mas sempre é bom lembrar o alto custo social que os maus governantes provocaram em sua atuações desastradas, ainda nos colocam dentre as nações mais desiguais do planeta.
E seria recomendável que a presidente fizesse uma profunda reflexão sobre qual conceito pretende entrar para História. Porque, até aqui ao menos, e um governante sempre é julgado sob tal ótica, os resultados de seu governos são pífios, patéticos, raquíticos. E muito deste resultado negativo se deve, primordialmente, a dois aspectos básicos: primeiro, Dilma chegou à presidência sem ter debaixo do braço um projeto para o país, o que seu caso, é indesculpável, já que esteve à frente de muitas ações e programas do governo Lula. Segundo, sua compulsão ao autoritarismo, sua total falta de habilidade para conviver em um ambiente democrático onde as negociações devem estar presentes sempre que se pretender adotar medidas e implementar programas.Esta sua arrogância está fazendo um grande mal para o Brasil, fazendo com que percamos a confiança duramente conquistada perante a comunidade internacional.
Um exemplo bem ilustrativo de que se trata de um governo sem direção, foi a descabida promessa feita por Dilma, durante visita à Paris, quando declarou que seu governo construirá 800 aeroportos regionais e 10.000 quilômetros de ferrovias. Se conseguir deixar os 12 aeroportos das cidades sedes da Copa do Mundo de 2014 em condições para aguentar o tranco dos próximos 10 anos, sem puxadinhos e nem corrupção, já estaria de bom tamanho. Por aí se nota o quanto dona Dilma não consegue unir suas falas ao bom senso...
Assim, ao invés de se refletir unicamente nos índices de aprovação, melhor faria a presidente se se esmerasse em corrigir os índices negativos, cada vez mais negativos, dos serviços públicos os quais refletem de forma cabal a própria ação do governante.
Um detalhe final: não estaria na hora da imprensa começar a cobrar de Dilma o fato de que, dado o seu protagonismo nos dois mandatos de Lula, parte desta herança é obra exclusivamente sua, e não apenas de Lula como se tenta colar? O PT é mestre em transferir a terceiros suas responsabilidades e sempre encontra um bode expiatório para se livrar de suas próprias culpas.