Tais Mendes, Bruno Amorim, Luiz Ernesto Magalhães, Danielle Nogueira
O Globo
Falta de luz atingiu Aeroporto Internacional Tom Jobim e passageiros reclamam de falta de assistência
Foto da leitora Beatrice Jordão
O aeroporto Tom Jobim às escuras
RIO — O presidente da Light, Paulo Roberto Pinto, afirmou na noite desta quarta-feira que o problema em um transformador da subestação do Aeroporto Internacional Tom Jobim acabou tirando do sistema a linha da Light, provocando um apagão na Ilha do Governador. O terminal 1 do aeroporto ficou cerca de 1 hora sem luz na noite desta quarta-feira. A energia só voltou por volta das 22h40m. A Infraero informou que a falta de energia durou dez minutos, e que aos poucos a luz foi voltando, quando o gerador de energia foi acionado.
- Ao derrubar a nossa linha, derrubou quase toda a Ilha. Com uma manobra conseguimos colocar uma linha nossa em operação e restabelecemos em 15 minutos a energia em toda região. Somente a Ilha do Fundão que ainda está com problemas, porque é uma outra linha - explicou Paulo Roberto.
O executivo lembrou que o sistema da Light está conectado a subestações de vários clientes, como foi o caso do Galeão, e por isso às vezes acabam ocorrendo acidentes como esse. A Light informou ainda que continua realizando manobras para restabelecer totalmente o fornecimento de energia. Equipe de técnicos do aeroporto, com apoio da Light, investigarão as causas do defeito apresentado.
Os passageiros que estavam voltando de viagem no feriadão de Natal levaram um susto com a falta de energia no aeroporto. Por volta das 22h30m, mais de 100 pessoas aguardavam no check in para embarcar em voos internacionais no terminal B. Muitos reclamavam da falta de informações e do calor, já que os aparelhos de ar-condicionado deixaram de funcionar. O executivo Nelson Pereira Pinto estava na fila do check-in da American Airlines para embarcar para San Diego, EUA, onde passará o réveillon com a família, contou que, assim que saiu do táxi, as luzes do aeroporto apagaram.
- Logo no dia mais quente do ano estamos aqui nesse calor com uma criança de nove anos com medo de perder o voo. Ninguém dá informação. Como pode um aeroporto internacional do Rio não ter gerador. Uma funcionária da companhia aérea disse apenas que, sem luz, não há como fazer check-in - contou ele.
A administradora Roberta Pedroso de Araújo Valente já estava despachando as malas quando a energia foi interrompida. Vestindo roupas adequadas para o inverno de Nova York, onde esperará 2013, ela conta que o calor não foi o principal problema. O que a preocupa mesmo é sua filha de 2 anos e meio, que chora sem parar, com medo do escuro.
- É um absurdo o Aeroporto Internacional do Rio não ter geração própria de energia. Não estamos preparados nem para Copa, nem para Olimpíadas, nem para receber visitante algum. Agora eu quero ver se a American Airlines vai ficar esperando a Infraero resolver seus problemas para decolar - reclamou.
Mais cedo, pelo menos cinco aviões permaneciam estacionadas no pátio sem que os passageiros pudessem desembarcar. O relato foi feito pelo empresário Cláudio Santos, de 31 anos, que ficou cerca de 50 minutos esperando para desembarcar de um voo da TAM que vinha de Recife.
- A situação é um absurdo. Pela janela era possível observar mais quatro aviões parados junto aos fingers com os passageiros à bordo. São mais de 190 pessoas a bordo, inclusive crianças, que não podem desembarcar. Esse é realmente o aeroporto de uma cidade que vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas? - questionou Cláudio Santos.
Rogério Pimentel, que também estava no voo, contou que saiu da aeronave sob luzes de lanterna:
- A Infraero afirma que a luz voltou em dez minutos, mas isso não é verdade. As esteiras estão funcionando, mas o saguão de desembarque está completamente escuro.
A relações-públicas Beatrice Jordão, de 25 anos, desembarcou por volta das 21h com o Galeão às escuras. Segundo ela, os passageiros não tiveram o auxílio de nenhum funcionário no trajeto entre o desembarque e a sala de bagagens, cujas esteiras estavam paradas.
- Nossa sorte foi que não havíamos despachado malas. Só assim conseguimos sair logo. Os televisores com informações sobre os voos estavam desligados e não havia lanternas. Quando saímos, umas 21h20m, algumas luzes de emergência estavam sendo acionadas, mas eram muito fracas. Caos total - disse Beatrice, que vinha de Campinas com toda a família em um voo da Gol e já havia sido surpreendida por falta de energia no Galeão em outra ocasião.
Mais cedo, trechos de diversas ruas do Rio sofreram com a falta de energia elétrica. Entre os bairros afetados estavam: Gávea, na Zona Sul; Bangu, Pavuna, Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na Zona Oeste; e Tijuca, na Zona Norte. Faltou luz na Clínica São Vicente, localizada na Rua João Borges, na Gávea. Consultórios e recepção ficaram às escuras e sem ar-condicionado, mas o atendimento não foi interrompido.
Funcionários da Clínica São Vicente relataram que, antes de as luzes apagarem, ouviram um grande estouro. Em seguida, um transformador na rua do hospital começou a soltar fumaça. O gerador da clínica foi ligado, mas abasteceu apenas as áreas mais vitais, como o centro cirúrgico e o CTI.
De acordo com a Light, trechos do bairro da Gávea ficaram sem luz porque uma linha de distribuição desarmou na manhã desta quarta-feira. De acordo com a empesa, faltou energia em parte das ruas Marques de São Vicente, Acácias, João Borges e Major Rubens Vaz.
Já no Anil, em Jacarepaguá, moradores ficaram sem luz desde a meia-noite. A Light informou que a energia já foi restabelecida, mas moradores do bairro reclamam que permanecem sem luz. Durante a madrugada, outros bairros de Jacarepaguá também ficaram sem energia, como Curicica, Taquara e Freguesia.
Houve falta de luz também na Barra da Tijuca e na Tijuca. Áreas da Barra da Tijuca ficaram sem energia entre as 21h30m desta terça-feira e 0h30m desta quarta, quando o fornecimento foi normalizado. Parte da Avenida das Américas e de ruas próximas foram afetadas pela falta de energia elétrica. Segundo a concessionária, uma linha de distribuição que alimenta a Barra apresentou um problema técnico. O mesmo problema aconteceu na Tijuca, que ficou sem luz entre as 5h e 6h desta quarta-feira.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Sei que é inútil perguntar, mas por dever de ofício não se pode deixar de lado: como pode um aeroporto desta dimensão e importância não ter instalado geradores de emergência? Qual a desculpa miserável que a INFRAERO pode apresentar? É bom lembrar que no Brasil as taxas cobradas pela INFRAERO estão entre as mais altas do mundo. E, por fim, uma derradeira questão: é com esta incompetência que o governo Dilma quer obrigar os investidores, através de seu recente pacote de concessões de aeroportos, a aceitarem a INFRAERO como sócia?
