Adelson Elias Vasconcellos
Há uns dois meses atrás, afirmamos aqui que era ótimo saber que faltava pouco para 2012 se encerrar. Tal comentário era a propósito de inúmeras reavaliações do PIB brasileiro, cada vez mais curto. Se não faltasse tão pouco tempo e, certamente, nosso crescimento acabaria se tornando negativo.
Na semana passada, reproduzimos aqui inúmeros textos sobre as projeções da turma do governo sobre o comportamento do PIB, passado e futuro. Para o próximo ano, Mantega cravou uns 4%, com a tradicional margem de erro de 2% pontos percentuais para menos. A soberana, do alto de sua empáfia, afirmou categórica que 2013 seria o “ano” e que gostaria de receber como presente de natal um “pibão”.
Pois então: a gente até tenta acreditar na turma, procuramos nos manter tão otimistas quanto Guido Mantega, mas, acreditem, é difícil. Não que o Brasil não tenha potencial, não que nos faltem oportunidades. O governo petista tem oposição a atrapalhá-lo! Nada disso. Só que a colheita sempre será na razão direta da semeadura.
Ora, tirando os juros puxados para baixo, que outro dever de casa o governo Dilma realizou capaz de se poder afirmar, plenamente, que a coisa agora vai?
Um governo que navega na superficialidade de entender que, para o crescimento ser robusto basta apenas consumir, não pode colher outros resultados senão o que temos visto. A capacidade de crescimento, em casos assim, fica restrita à capacidade de renda dos brasileiros que, todos sabemos, é muito baixa.
Por outro lado, desde setembro, Dilma editou marcos regulatórios na área de portos, aeroportos, elétrico e ferrovias. Em todos se observa a presença do estado como sócio e a redução das margens de lucros das empresas que se aventurarem nesta empreitada. Há um enorme preconceito em relação ao capital privado e, mais fortemente, se este capital vier de investidores globais.
Em sua mensagem de Natal à Nação, a presidente pediu que os empresários confiassem no Brasil. Nem precisava. A questão não é a confiança no Brasil, coisa que jamais faltou em tempo algum. O problema central da falta e até da queda de investimentos é a falta de confiança no governo e seus excessos: excesso de intervencionismo, excesso de regras instáveis sujeitas a chuvas e trovoadas, excesso de Estado como sujeito econômico ativo ao invés de mobilizador, regulador e fiscalizador, excesso de burocracia. Assim, não há boa vontade empresarial que aguente tanto excesso!!! Sem considerar que, pelo tamanho excessivo e opressor do Estado, o empresário brasileiro precisava sustentar uma das mais altas cargas tributárias do planeta e sem que tenha o retorno correspondente.
E aí a gente olha para as manchetes do dia e se depare com esta: Mercado eleva projeções para inflação e reduz PIB de 2013.
A inflação já sobe para 5,69% e o crescimento cai para 3,3. E olhem que o cálculo sofreu uma intervenção cirúrgica do IBGE que o torna menor do que seria no regime anterior!
E atenção: 2013 nem começou, e o PIB se ensaia menor que o projetado por Mantega. Por enquanto, se mantém dentro da margem de erro para menos, que tem sido a praxe das previsões do Ministro.
Claro que ainda é um pouco mais do que sido a média do governo Dilma, mas é bom não esquecermos que tal projeção é calculada em cima de uma base fraca. Qualquer movimento mais ou menos positivo já seria suficiente para que o índice de 2013 seja melhor do que foram 2011 e 2012.
Mesmo assim, vamos manter o otimismo. Aí a gente olha para os tais marcos regulatórios que teriam o dom de atrair investimentos polpudos e bate o desânimo. Porque o governo insiste na velha toada de tratar muito mal a quem só pode nos fazer bem.
Mas é Natal, ano novo, festas prá lá e para cá, em seguida tem carnaval e lá por março o Brasil volta à sua realidade. Dureza, não é mesmo?
Enquanto a massa se delicia nestes meses de farras e festas, férias com muito sol, mar, com o barquinho deslizando mansamente no azul, verde e amarelo do horizonte, vamos torcer para que os bons ventos voltem a assoprar em nosso favor. Vamos precisar muito disso. Afinal, um Congresso que entra em recesso sem ao menos aprovar o orçamento para o ano seguinte, deixando a presidência sem instrumentos para manter programas e investimentos, demonstra bem o estado de indigência a que o parlamento brasileiro foi entregue.
Seria ótimo que, neste intervalo, o governo Dilma e sua equipe econômica refletissem melhor sobre o diagnóstico que têm feito sobre “o que está faltando fazer” para que o nosso PIB de cada dia seja mais gordo do que tem sido. O passo inicial, quero crer, seria abandonar, de vez, a desculpa de imputar à crise econômica de alguns países da União Europeia as causas e os males de nosso baixo crescimento.
Que a crise de lá atrapalha, não se tem duvidas, mas isto não é tão grave empecilho para que o país implemente as reformas estruturais que se fazem necessárias. Contudo, preferem agir na periferia, no cosmético, quando se impõe maior coragem e ousadia para atacar questões importantes como reforma tributária por exemplo. Além disso, seria imprescindível que o governo Dilma atentasse um pouco para a expansão do gasto público em detrimento dos investimentos. Como seria prudente e aconselhável que revisse os tais marcos regulatórios que andou editando para deles retirar o ranço ideológico que os acompanhe e jogasse no lixo o preconceito contra o capital privado.
É possível em 2013, até por ser ano pré-eleitoral, que o governo se esqueça da prudência e ponha o pé no acelerador dos gastos, tentando, artificialmente, ganhar musculatura para em 2014 se habilitar à reeleição (se Lula não mudar de ideia, é claro).
De qualquer forma, doravante, nossas posições críticas serão ainda mais severas. Entrando em seu terceiro ano de mandato, Dilma não tem mais muito espaço para agir, tampouco desculpas para o deixar de fazer. Os pacotes que, no seu entendimento, serviriam para impulsionar nosso crescimento, já estão na praça, podem e devem ser aperfeiçoados. Mas precisam apresentar resultados concretos e, dado o tempo com que foram preparados, não podem errar a mão.
Portanto, a nós brasileiros resta torcer e rezar. Rezar muito para tudo dar certo.
Como afirmamos recentemente, não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe. Se em 2012 o país conseguiu julgar e condenar José Dirceu & Cia., por que não conseguirá, em futuro breve, se livrar da gangue de ineptos instalada no poder?