Valéria Maniero
O Globo
O primeiro resultado já saiu: a inflação ao consumidor ficou em 2012, mais uma vez, longe do centro da meta (4,5%). O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, subiu 5,78% no ano, segundo o IBGE, menos do que no ano passado (6,56%), mas ainda assim, o resultado está longe do considerado ideal.
Os alimentos tiveram participação importante no dado geral ao subirem 9,84% em 2012, mais de 4 pontos percentuais acima da taxa geral de inflação. Foram eles os principais vilões do ano, mas não os únicos. Em segundo lugar aparece o grupo despesas pessoais, com alta de 9,40%, puxada, principalmente, pelo serviço de empregado doméstico, que subiu muito este ano: 12,75%, segundo o IBGE.
Em dezembro, o IPCA-15 acelerou para 0,69%, superando as expectativas dos analistas, depois de ter subido 0,54% em novembro.
A inflação de alimentos continua alta, como falamos, mas outros itens também pressionaram bastante no último mês do ano. O preço do cigarro aumentou 2,66%, e as passagens aéreas subiram de novo, mais do que em novembro. Os preços das roupas também resistem em cair, assim como o serviço de empregado doméstico.
Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, chama atenção para a inflação de serviços, outra vilã de 2012, que acumulou alta de 8,16% no ano, pelo IPCA-15.
- Tivemos uma variação de 0,88%, uma “bela” aceleração com relação aos 0,71% de novembro, o maior resultado desde os 1,38% de fevereiro deste ano, quando temos o impacto do aumento das mensalidades escolares - diz.
Por conta desse resultado "salgado" de dezembro, o economista revisou para cima sua previsão para a inflação oficial, de um intervalo de 0,65% a 0,70% para 0,70% a 0,75%. Se o número se confirmar, o IPCA pode fechar o ano perto de 5,80%, segundo Leal.