quinta-feira, dezembro 20, 2012

Luz sobe para depois cair. Menos investimento = mais risco


Míriam Leitão 
O Globo

É uma situação estranha: ontem, foi aprovada a medida provisória que garante a redução do preço da energia elétrica. Mas o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a tarifa precisaria ser mais alta, se o objetivo for evitar apagões.

O diretor do órgão está dizendo que é necessário mais, e não menos, investimento e, como não haverá mais dinheiro, teremos de conviver com o risco.

Aliás, a minha conta de luz já trouxe a informação de um reajuste de 11,8% da Light. E vai aumentar também em 4,8% a tarifa dos consumidores das regiões que usam a energia de Itaipu, corrigida pelo dólar, que subiu.

É bom que a população, que está com a expectativa de queda do preço da energia, entenda isso. 

A tarifa média de 2013 não será 16% menor do que a de 2012, mas menor do que seria se não tivesse tido essa medida.

Ou seja, talvez não seja tão bom assim para o consumidor quanto se esperava, apesar de ser mais complicado para as empresas, que terão menos capital para investimento, o que também acaba virando contra o consumidor.

É bom lembrar que os impostos significam 45% da conta de luz - de cada R$ 100, R$ 45 são mandados para os governos. É a parte do Leão na conta.

Também dá para entender, pela fala do diretor da ONS, que vamos pagar menos por um serviço que não vamos ter. Para dar garantia, o investimento precisaria aumentar e, com ele, o preço da energia.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É preciso fazer um pequeno reparo no texto da jornalista Miriam Beltrão. A parte que o governo embolso sobre os valores pagos pelos consumidores de energia, não é de R$ 45,00. São R$ 48,60 que vão para os cofres da União. 

Vale registrar que, Lula ao assumir, esta fatia era de apenas R$ 21,60. Ou seja, foi o próprio governo petista quem se encarregou a mais do que dobrar os tributos incidentes sobre as tarifas de energia.