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Argentina volta a apelar ao ufanismo para reverter queda de popularidade
(Reuters)
A argentina "Fragata Liberdade" foi apreendida no porto de Tema
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, vai mais uma vez apelar para o ufanismo argentino para reverter a queda de popularidade. O governo de Buenos Aires está organizando uma grande festa para celebrar a volta ao país da fragata Liberdad, que ficou retida em Gana por dois meses e meio por causa de um processo movido por credores de fundos internacionais.
Militantes do kirchnerismo estão sendo transportados até Mar del Plata, a 400 quilômetros da capital Buenos Aires, onde o navio atracará. Familiares da tripulação também foram convidados. Até mesmo a chegada da embarcação foi atrasada para ‘coincidir’ com a festa do governo, nesta quarta-feira.
Dívida -
Para que a fragata deixasse Gana, o governo argentino precisou recorrer ao Tribunal Internacional sobre o Direito do Mar, órgão com sede em Hamburgo (Alemanha).
A decisão favorável à Argentina foi anunciada em 15 de dezembro, encerrando uma disputa iniciada em 2 de outubro, quando um juiz ganês aceitou o processo de um embargo imposto pelo fundo americano NML. O fundo reivindicava ao estado argentino uma dívida de 284 milhões de dólares mais juros por bônus soberanos que entraram em moratória no final de 2001, em meio a uma severa crise econômica.
O governo argentino alegou se tratar de uma embarcação de guerra e se negou a pagar 20 milhões de dólares que a Justiça ganesa exigia para a liberação.
O confisco da embarcação também desencadeou uma crise política no governo e resultou em quatro renúncias, entre elas a do comandante da Marinha, almirante Carlos Alberto Paz.
A oposição criticou a exibição do oficialismo em Mar del Plata. “Fazer um circo e festejar a chegada da Fragata, que atravessou dificuldades por culpa do próprio governo é como festejar a anulação de um gol contra”, disse o deputado Julio Martínez, integrante da Comissão de Defesa, em declaração publicada pelo jornal La Nación.
Palanque -
Cristina Kirchner será acompanha pelo ministro da Defesa, Arturo Puricelli, vários membros de seu gabinete e uma ampla representação de figuras políticas e governadores provinciais. Está previsto que a presidente suba a bordo da embarcação para dar boas-vindas à tripulação e dar a mão ao capitão, Pablo Lúcio Salonio, além de pronunciar um discurso que será seguido de queima de fogos de artifício.
