sexta-feira, janeiro 11, 2013

O sério problema da má gestão das obras públicas


O Estado de S.Paulo

Usina hidrelétrica sem linha de transmissão, reservatórios com nível inferior ao desejável, ferrovias que conduzem a um porto ainda inexistente - esta é a imagem mais comum das obras da infraestrutura brasileira. São atrasos que acarretam aumento dos custos e mostram a necessidade de uma mudança de política.

É evidente que uma usina que produza energia elétrica terá um custo mais alto para os consumidores se, ao funcionar, essa energia não puder ser faturada, principalmente enquanto o empreendimento tiver de pagar juros do financiamento sem dispor das receitas que havia previsto. As perdas podem ser ainda maiores se as fábricas que contavam com o fornecimento da energia não puderem fazer funcionar seus equipamentos.

Uma usina hidrelétrica com reservatório pequeno demais, por não obter licença para inundar a área desejável, fica sujeita a sofrer mais do que a que dispõe de um reservatório adequado num ano de seca - e pode ser condenada a suspender sua produção, com perdas para si própria, para as empresas de transporte e distribuição de energia e até para as fábricas que tenham de funcionar muito abaixo da sua capacidade de produção, recorrendo a uma energia mais cara produzida por termoelétricas que existam na região.

O jornal Valor trouxe um artigo mostrando que uma ferrovia de 1.000 km para transportar mercadorias estará pronta pelo menos dois anos antes do que o porto em Ilhéus que demandou a ferrovia. As obras do porto estão apenas iniciadas e estarão disponíveis dois ou três anos depois da conclusão da ferrovia.

São alguns exemplos das obras na infraestrutura no Brasil que podemos generalizar e certamente têm a maior responsabilidade no custo Brasil, ao mesmo tempo que representam um fator de inibição de maiores projetos. É uma situação que mostra a necessidade de melhor planejamento das obras públicas e, em alguns casos, a necessidade de um organismo responsável por projetos interligados, com poderes para intervir no andamento de obras interdependentes, verificando se o cronograma está sendo respeitado e segue um ritmo adequado.

O atraso nos investimentos públicos, que multiplicam seus custos, resulta de uma péssima administração dos projetos e também do fato de eles serem, na maioria dos casos, financiados por organismos internacionais ou regionais.

Dando soluções a esses problemas, o Brasil ganharia pontos para a retomada do crescimento.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não são apenas as obras públicas que estão sendo mal geridas: é qualquer coisa em que haja a presença do Poder Público. É  uma bagunça generalizada. Improvisação. Falta de projeto. Falta de planejamento. Corrupção por todo o canto. Desvios de toda a sorte. Impunidade permanente. Mudança de regras por atacado. Escândalos em toneladas. 

Não é a toa que classe política no Congresso sonha em aprovar uma PEC retirando do Ministério Público seu poder de investigação desta corja de larápios. Hoje a impunidade já campeia de norte a sul, e  se a PEC for aprovada, a impunidade se tornará numa instituição política de caráter nacional e permanente. Se alguém pensa que a classe política algum santo dia pensará no bem estar do país, ou perdeu o juízo ou se trata de um político falando em tempo de campanha eleitoral.