sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Na república do faz-de-conta


Adelson Elias Vasconcellos

O  país não crescia. Aí se fez a luz: mude-se a fórmula de cálculo do PIB. E então o país cresceu.

O Fome Zero como programa tinha mais fome e mais zeros do que resultados práticos. Então se fez a luz: pegam-se programas sociais do governo anterior que davam resultados, juntam-se e rebatizam-se com novo nome, e pronto: e então o fome zero passou a ser positivo.

O governo não sabia o que fazer para alavancar os investimentos. Então se fez a luz: juntem-se,  num mesmo pacote,  todas as obras em andamento do governo anterior, ponha-lhe um apelido marqueteiro e, pronto, ... temos o milagre da multiplicação. 

Depois, se pega o setor elétrico, faz-se uma maquiagem, acrescente de aumento na carga tributária e, pronto: eis aí o milagre do apagão nunca mais. 

A inflação ameaça disparar? Não tem problema:  mude-se a fórmula de cálculo  e pronto, temos um novo índice mais enxuto.

A dívida externa incomoda e preocupa? Não tem erro: troque-se a dívida externa com juros baixos, por uma nova dívida, agora interna e com juros mais altos, e pronto. A dívida externa num passe de mágica deixa de existir. 

Mais adiante, se preciso, os milagreiros haverão de alterar, de novo, as fórmulas de cálculo da inflação  e do PIB para se produzirem novas mágicas. Mágicas que ajudaram a criar o mito da autossuficiência do petróleo, por exemplo. Ou da multiplicação da classe média onde bastou mudar para baixo as faixas salariais das diferentes classes de renda. Pronto: 30 milhões de pobres e miseráveis, da noite para o dia, e sem que se acrescentasse um centavo aos seus ganhos, se tornaram classe média. 

E assim, de manipulação em manipulação, de farsas em farsas, de fantasias em fantasias, criou-se o mito do legado Lula da boa governança do “nuncadantez”.. E para que este mito ficasse vistoso, nada como a propaganda marqueteira, o discurso eleitoreiro, e o uso das estatais e fundações com suas gordas verbas para abastecer o pseudo jornalismo de arrabalde,  para glorificar os feitos do David Copperfield brasileiro e sua refundação do Brasil. 

Neste reino de faz de conta, Lula embalou o sonho de seu segundo mandato e, de contrapeso, elegeu um poste para sucedê-lo.  Não, claro, escolheu a gerentona do “PAC”, o pacote da multiplicação de obras, a especialista em evitar apagões e em dobrar a carga tributária sobre as tarifas de energia. 

Agora, diante da triste constatação de que o PAC está mesmo empacado, e os investimentos em infraestrutura apontam para baixo, precisando criar fatos novos para garantir-lhe a eleição, eis a soberana cumprindo rigorosamente o mesmo roteiro implementado por seu padrinho. Assim, vimos na tal redução das tarifas de energia como se pode ser cretino com o chapéu alheio e como pode o populismo mais vagabundo conceder desconto sobre aumentos ordinários.

Não só isso: já se encaminha nova fórmula de avaliação do PAC. Claro que, mesmo sem termos obras, o PAC dará um salto de qualidade na imaginação dos palacianos mistificadores da realidade. 

Há também a tal conta dos miseráveis, conta que não fecha. Por decreto, o Brasil deixará de ter miseráveis, mesmo que a dura realidade do dia a dia do país continue exibindo a existência de milhões deles de norte a sul. Mas quem dos nossos mágicos está minimamente interessado em realidade, ainda mais aquela que teima em desmontar as farsas e as mistificações? Na propaganda eleitoral, o Brasil vai ficar bonito na foto, mesmo que a imagem enfeitada contraste com o fato concreto.

Nossos alquimistas são inventivos. Seu baú reúne infindáveis recursos de como mentir desbragadamente sem parecer desonesto ou canalha. Se o superávit primário não é obtido, fórmulas mágicas de uma tal contabilidade criativa entram em ação para mostrar ao mundo nosso pouco apreço à seriedade e responsabilidade.

 Portanto, a gente acaba até concordando com Lula quando afirma que o Brasil foi fundado em 01 de janeiro de 2003: o petista criou a República do Brasil de Faz de Conta, um delicioso reino da fantasia, no qual todos os brasileiros adorariam morar,  em que nossos soberanos fazem tudo parecer perfeito, são verdadeiro Midas por tocarem em problemas com dedos mágicos e os problemas, como que por encanto, sumirem da realidade visível. Pena que esta república é habitada apenas pelos canastrões da elite retrógrada a qual pertencem Lula, Dilma , Sarney, Renan e demais aristocratas que escalpelem o coro do povo para satisfazerem suas ambições políticas. Mas toda esta maçaroca é feita para o bem de todos.   ALELUIA!!! ALELUIA!!! ALELUIA!!!