sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Privatizem, enquanto há tempo


João Luiz Mauad
Instituto Liberal

Os problemas da Petrobrás, inclusive financeiros, são tão graves que já começam a contaminar o mercado inteiro

De acordo com o “The Wall Street Journal”, a produção de petróleo nos Estados Unidos cresceu mais em 2012 do que em qualquer outro ano na história da indústria petrolífera daquele país, que começou em 1859. A produção diária por lá atingiu, em média, 6,4 milhões de barris no ano passado, um aumento recorde de 779 mil barris por dia em relação a 2011.

O incremento vem graças a uma combinação relativamente recente de tecnologias, que envolve perfuração horizontal e fraturamento hidráulico (fracking), além do bombeamento de água, produtos químicos e areia em altas pressões, para quebrar formações rochosas de xisto subterrâneas. Essas tecnologias tornaram comercialmente viável a exploração de jazidas de petróleo e gás até então inacessíveis.

As novas tecnologias têm aumentado a produção de óleo e gás não apenas nos EUA, mas ao redor do mundo inteiro, e hoje o “fracking” já é considerado uma verdadeira revolução. Há quem garanta que os Estados Unidos superarão a Arábia Saudita como maiores produtores do planeta, antes de 2020.

Enquanto isso, a Petrobrás registrou, em 2012, a terceira queda de produção de petróleo em 59 anos de operação. Também no ano passado, no segundo trimestre, a empresa amargou um prejuízo de RS 1,35 bilhão. Por causa da queda na produção, a petrolífera brasileira passou a importar diesel e gasolina em volumes crescentes, a fim de atender uma demanda interna que, graças a uma política de preços absurda, não para de crescer.

Este cenário é consequência de decisões políticas altamente equivocadas, com destaque para a aposta errada na exploração (arriscada e caríssima) do pré-sal. Os problemas da Petrobrás, inclusive financeiros, são tão graves que já começam a contaminar o mercado inteiro. Infelizmente, poucos têm coragem para falar em privatização, mas seria melhor que se pensasse nisso rápido, enquanto ainda há tempo.