Danilo Macedo e Heloísa Cristaldo, Agência Brasil
A Embrapii será uma organização social (OS) e tem investimentos previstos de R$ 1 bilhão para este e o próximo ano
Marcello Casal Jr/ABr
Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência e Tecnologia:
a organização é inspirada nos moldes da Embrapa, considerada uma
das responsáveis pelo desenvolvimento e destaque do país no setor do agronegócio.
Brasília - O governo federal anunciou hoje (14) a criação da Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que visa a fomentar o processo de cooperação entre empresas nacionais, principalmente pequenas e médias, e instituições tecnológicas ou instituições privadas sem fins lucrativos voltadas a pesquisa e desenvolvimento (P&D).
A Embrapii será uma organização social (OS) e tem investimentos previstos de R$ 1 bilhão para este e o próximo ano. Os recursos vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e dos parceiros envolvidos. A iniciativa do governo será implementada por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Ministério da Educação (MEC).
“[A Embrapii] Nada mais é do que uma estrutura ágil que vai fazer o casamento entre as demandas das empresas. Um agente para estabelecer a química, um catalisador que vai estabelecer uma química entre a demanda empresarial e a infraestrutura tecnológica. Foca na demanda industrial e também um estímulo às instituições de P&D existentes no país”, disse o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, durante reunião da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.
A nova organização é inspirada nos moldes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), considerada uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento e destaque do país no setor do agronegócio. O projeto piloto da Embrapii envolve o Instituto Nacional de Tecnologia, do Rio de Janeiro, na área de biotecnologia, o Instituto de Pesquisa Tecnológica, de São Paulo, em energia e saúde, e o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Semana passada, o governo Dilma anunciou a criação do 39° ministério, o das Pequenas e Micro Empresas. Agora é a vez de mais inútil estatal. Quando for maior for a estrutura do governo, mais ele consumirá recursos que poderia ter melhor proveito em áreas há muito carentes como educação, saúde, segurança. Quanto mais for gastando com secretarias, ministérios e estatais que só para bancar o emprego inútil de vagabundos mais inúteis ainda, não há como o país elevar seus investimentos, indispensáveis para o crescimento do país.
Quanto a comparação feita por Raupp em relação ao modelo EMBRAPA, ela está completamente fora do lugar. Primeiro, porque as condições para o desenvolvimento da agropecuária brasileira estavam todas bem dispostas, faltando-lhe apenas pesquisa e tecnologia. No caso da inovação e pesquisa industrial, falta-nos o que na agropecuária sobrava: mão de obra especializada, e altamente especializada. Melhor faria o governo se, de um lado, provocasse uma revolução na qualidade de ensino brasileiro. E, de outro, se criasse as condições favoráveis para o crescimento da indústria brasileira que, para além da inovação, compete em condições miseráveis com a indústria global.
Assim, esta insistência em criar estatais, achando que serão capazes de encontrar o caminho do tesouro que nos levará a um salto de desenvolvimento, não passa de uma quimera. É uma estratégia que no passado já se mostrou esgotada. O país já havia saído deste calvário e, como se vê, o PT vem ressuscitando exatamente aquilo que travou nosso crescimento durante 25 anos, isto é, o gigantismo mastodôntico do Estado, com puro desperdício de valiosos recursos públicos. Enquanto o governo não se der conta de seu erro, as despesas correntes tendem a se manter em alta crescente, impedindo assim que possa reformular de modo decente o estapafúrdio sistema tributário do país. É o Brasil descendo a ladeira.
E um detalhe: são esta criações de órgãos fantasmas que, mais adiante, terão a maior fatia de contingenciamento de recursos, provando assim ser sua existência totalmente dispensável. E, por favor, não havia um nome um pouco mais criativo, com melhor apelo comercial?
