sexta-feira, março 15, 2013

Vamos brincar de comparar 10 com 8?


Adelson Elias Vasconcellos

Em diferentes ocasiões desmistificamos as mentiras que o petismo tenta emplacar na opinião com estatísticas mentirosas, não oficiais, tentando provar que fez mais e melhor do que os anos de FHC (verdadeira obsessão doentia).

Na festa que o PT promoveu para comemorar o evento dos 10 anos no poder, foi distribuída uma cartilha comparando feitos de um e de outro. A comparação por si só é de uma vigarice dolorosa, porque se pretende comparar entes desiguais. Aí não dá!

A comparação seria pertinente se o governo petista partisse de um mesmo ponto inicial que FHC encontrou ao assumir em 1995.  

Se o leitor pesquisar no arquivo do blog, vai encontrar uma série de artigos aqui postados, comparando aquilo que realmente é possível. Veja o caso da inflação, da dívida externa, da credibilidade externa, do equilíbrio fiscal, até dos juros, dos indicadores sociais. Quem criou um leque de 12 programas sociais, dos quais Lula reuniu cinco deles, em 2003, sob o guarda chuva do Bolsa Família.  Até 1995, neste campo, os indicadores eram extremamente negativos, sem mostrar progresso algum. Tanto a mortalidade infantil, quanto a universalização do ensino fundamental, quanto a vertiginosa queda do trabalho escravo infantil começaram a cair de fato a partir de 1995, e não de 2003, como a cartilha canalha do PT tenta falsificar.

Se adentrarmos para o campo econômico, o Plano Real foi quem de fato colocou ordem nas contas públicas, deu um tiro de misericórdia na inflação e trouxe algum juízo para os administradores públicos através da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disto, é deste tempo a reestruturação do sistema financeiro, permitindo-nos através com segurança a crise de 2009.

Assim, comparar o período de 1995/2002 com o de 2003/2010 se Lula tivesse encontrado o país em situação idêntica com a que FHC precisou governar. 

Feita tais considerações, vamos tratar de duas comparações que dão bem a ideia do quanto Lula poderia ter feito e não fez, isto no campo da economia, e do quanto estes dez anos de PT representou em retrocesso, e isto no campo da educação.

Antes disso,  uma observação: na medida que uma economia cresce, a tendência é o governo aumentar sua arrecadação de impostos, mesmo que não altere as alíquotas dos já existentes. Assim, dizer que num determinado se investiu mais neste ou naquele campo, não representa absolutamente nada. Quem recebeu mais, obrigatoriamente, tem o dever de investir mais, certo?

Ora, considerado o período nebuloso, interna e externamente, em que FHC governou o país, dá para se concluir que, com menos, ele acabou fazendo muito mais. É mentira, por exemplo, dizer-se que Lula representar o setor elétrico virado num caos. Tanto é que agora, com os reservatórios em níveis muito baixos, o governo Dilma precisou acionar o sistema de térmicas, todas funcionando com 100% de capacidade para que o país não precisasse sofrer racionamento. Mesmo assim, não fossem seus dois anos de crescimento ridículo, e o racionamento teria sido inevitável. Isto não é opinião, é fato real.

Mas o festivo   desenvolvimento que  Lula e Dilma tanto comemoram, não teriam fornecido ao governo central os recursos que dizem ter investido, não fosse o governo petista ter elevado de forma brutal a carga tributária.

Já provamos aqui o porquê do Brasil ser o campeão disparado de impostos incidentes sobre os salários. Como, ainda, já demonstramos o pesado e cruel confisco salarial praticado justamente sobre os salários mais baixos dos trabalhadores. Enquanto FHC entregou a Lula uma faixa de isenção que ia até 5 salários mínimos, que hoje representaria cerca de R$ 3.390,00, a dupla Lula/Dilma reduziu esta isenção à metade. Hoje, quem recebe cerca de R$ 1.600,00 por mês já está sujeito a tributação na fonte. 

Também já demonstramos que a carga tributária, incidente sobre as tarifas de energia elétrica cobradas no Brasil, simplesmente mais do que dobrou. Com FHC, a carga era de 22,1, com Lula/Dilma foi a 48,6%. Com isso, e apesar de nossa matriz ser preponderante ser de fonte hidráulica, o Brasil praticava a terceira maior tarifa do mundo.  Portanto, no desconte anunciado com festa por Dilma, vemos que, no fundo, ele foi concedido muito menor do que a elevação de impostos e encargos praticado pelos governos petistas.

No campo da tributação, então, é impressionante a cara de pau dos petistas. Vejam o quadro abaixo:



No quadro acima, vemos a evolução dos impostos cobrados pela União no período de 1990 a 2009, e fica claro a asfixia tributária imposta pelo governo Lula. Se formos comparar os períodos FHC versus Lula, em relação ao PIB, a diferença fica ainda mais clara.  

Analisando-se cuidadosamente as condições econômicas vividas pelo Brasil, num período e outro, fica claro que Lula tinha a obrigação de fazer muito mais e melhor do que realmente fez. 

E, infelizmente, apesar de ter encontrado um país melhor, com as finanças públicas saneadas, com a dívida pública renegociada em termos muito mais favoráveis, em certos aspectos, os governo Lula/Dilma conseguiram a proeza de subverter o sistema de ensino no país, principalmente o ensino médio, com consequências terríveis para o desenvolvimento brasileiro. No campo da indústria, não apenas o país mercados internacionais importantes como ainda, internamente, 25% do consumo interno é bancado por importados. O resultado disto se vê, por exemplo, nos expressivos volumes de compras feitas por brasileiros no exterior, tendo em 2012, ultrapassado a casa dos 22 bilhões de dólares, o que ajuda a explicar o expressivo déficit nas contas externas. Nossa balança comercial tem se sustentado graças ao agronegócio, tão demonizado pelas hostes petistas, e isto por conta dos elevados índices de crescimento dos emergentes, para os quais fornecemos comoditties agrícolas e minerais, cujos preços se elevaram muito nos últimos anos. E neste campo, do agronegócio que se sustentam nossas elevadas reservas internacionais que nos garante estabilidade econômica e inflação relativamente baixa, ou sob controle. 

  Acima, falamos do retrocesso no campo educacional. Isto fica bem claro quando olhamos para os quadros abaixo:

A evolução do aprendizado nas escolas brasileiras
Variação do porcentual de alunos com aprendizado adequado (%)


Português
Matemática
2003
2005
2007
2009
2011
2003
2005
2007
2009
2011
5º Ano
Ens.
Fundamental
25%
26%
27%
34%
40%
15%
18%
23%
32%
36%
9º Ano
Ens. Fundamental
20%
19%
20%
26%
27%
14%
13%
14%
14%
16%
3º Ano
Ens.
Médio
26%
22%
24%
28%
29%
12%
10%
9%
11%
10%

Alunos com aprendizado adequado
 vs. metas para 2011 (%)

Português
Matemática
Escola Pública
Total
Meta
Escola Pública
Total
Meta
5º Ano Ensino Fundamental
36,2%
40,0%
42,2%
32,4%
36,3%
35,4%
9º  Ano Ensino Fundamental
22,2%
27,0%
32,0%
11,7%
16,9%
25,4%
3º Ano Ensino Médio
23,3%
29,2%
31,5%
5,2%
10,3%
19,6%


Apesar de haver fixado muito modestas de melhoria no ensino, nem assim, o ensino médio básico, que seria as disciplinas de português e matemática, os dez anos no poder do PT conseguiram avançar. O aluno que alcança o 3º ano do ensino médio, conseguiu desaprender e retroagir a níveis inferiores ao que atingira no 9º e até no 5º ano do ensino fundamental. É, sem dúvida, um espanto.

Outra vigarice, cantado em prosa e verso pela dupla Lula/Dilma, está   na mentira da tal “nova classe média”. Mesmo que boa parte da imprensa já tenha desmoralizado a estatística oficial e o foguetório, nem por isso, a dupla cria vergonha na cara e deixam de mentir. O leitor poderá  constatar a farsa no artigo “Para aumentar a classe média, o PT empobreceu a renda. É um espanto!!!”, clicando aqui.

Não satisfeitos, e preparando o discurso cafajeste para emoldurar a campanha de 2014, Dilma inventou, por decreto, o fim da miséria, estabelecendo com sua régua e compasso que, quem ganhar R$ 70,00 por mês, deixa de ser miserável, valendo-se do mesmo truque vigarista para afirmar que, o cidadão que ganha 300,00 por mês, ou seja, meio salário mínimo, já atingiu a categoria de “classe média”.

Se a gente for espichar este estudo para o campo da segurança pública, então esta pretensa comparação fica ainda mais desmoralizada. 

Agora, olhem esta aterradora estatística:
Reproduzimos acima um  quadro comparativo dos homicídios com armas de fogo ocorridos no Brasil. Não tem prá ninguém, não há guerra que mate do que se mata em nosso país. E atenção: em dez anos de poder, os governos petistas já lançaram  cinco ou seis bombásticos planos de segurança pública. Se a intenção era aumentar a criminalidade, sem dúvida, eles foram muito competentes. 

Há, ainda, outro indicador que já levantamos suspeitas de que seja manipulado. Trata-se do índice de emprego/desemprego. Já fizemos alguns cálculos demonstramos que há, sim, uma enorme distorção na estatística. Parece que agora alguém também olhar os números com maior cuidado e detectou que nem tudo é como parece ser. Ainda voltaremos a este tema oportunamente. 

Olha, o PT pode mentir à vontade, trata-se de uma escolha, de um caminho, de um conceito que tentar fazer vingar perante o eleitorado. Não pode é tentar calar aqueles que se recusam em engolir estas mentiras, que conhecendo a verdade, contestam o discurso canalha. 

Talvez seja por isso que eles teimam em querer aprovar seu projeto de “democratização dos meios de comunicação” nome bonitinho para implementar a lei da censura no país. Porque neste sonho idiota que alimentam seus horizontes, sempre encontramos “a regulação do conteúdo”, Ora, quem pretende regular “conteúdo” dos meios de comunicações outra coisa não pretende senão ditar o que deve ser escrito ou não, o que deve ser dito ou não. Isto, em qualquer idioma existente no mundo, chama-se “censura”, gostem os petistas ou não. Até pode ser que um dia eles consigam aprovar uma monstruosidade destas, considerando-se que se vale de diferentes mensalões e mensalinhos para colocar o Congresso debaixo de seus tamancos.  Por enquanto, os iludidos são eles, que pensam poder aniquilar com um princípio basilar de qualquer democracia. Contudo, se vitoriosos em sua extrema loucura, quem se iludirá será a nação, que imaginará viver uma democracia, quando na verdade estará cativa e escrava de uma ditadura, por mais socialista e colorida com que a tentem pintar aos olhos do grande público.