quinta-feira, maio 16, 2013

Ante ameaça de intervenção no Clarín, oposição planeja reação


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Mais de 400 funcionários do grupo se declararam em 'estado de alerta'

Silvina Frydlewsky/EFE 
Manifestantes se reúnem em torno do Obelisco, 
no cruzamento das avenidas Corrientes e 9 de Julio 

A oposição argentina pretende convocar manifestações populares em defesa da liberdade de expressão caso o governo coloque em prática a intervenção ao grupo Clarín, desta vez através da Comissão Nacional de Valores, informou nesta terça-feira o jornal La Nación. Na noite de segunda-feira, mais de 400 funcionários do Clarín se declararam em “estado de alerta” depois de uma reunião geral sobre uma possível intervenção do governo ao grupo.

Os donos do Clarín temem uma possível intervenção há duas semanas, desde que o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, invadiu uma reunião de acionistas do grupo para reclamar da queda de lucros da empresa, sendo que o próprio governo proibiu os jornais argentinos de publicar anúncios de supermercados para evitar o aumento dos preços. Desde a nacionalização dos fundos de pensão, o governo tem 9% das ações do grupo, e, graças a uma lei aprovada no ano passado, pode pedir intervenção na empresa como sócio minoritário.

Para dirigentes de partidos de oposição como Pro (Proposta Republicana), UCR (União Cívica Radical), FAP (Frente Amplo Progressista) e Coalizão Cívica, a ameaça é um “disparate”. Os opositores, então, lançaram propostas “em defesa da liberdade de imprensa que o kirchnerismo tenta pisotear”. “Isso mostra a falta de limites do governo para conseguir seus objetivos: privar os cidadãos do direito de serem informados”, disse o presidente do Comitê Nacional da UCR, Mario Barletta.

“A Comissão Nacional de Valores não pode atuar como um organismo repressivo que intervém em empresas que a presidente não gosta”, disse a deputada Patricia Bullrich, segundo a qual a intervenção fere o artigo 248 do Código Penal argentino. Ela confirmou que a oposição vai reagir à possível intervenção com manifestações.

Da mesma forma, a deputada Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, enviou na segunda-feira uma carta ao presidente da Comissão Nacional de Valores (CNV), Alejandro Vanoli, em que lhe adverte de desistir intervenção a alguma empresa de comunicação, porque seria uma violação à Constituição argentina e à Convenção Americana de Direitos Humanos.

“Trata-se de uma terrível demonstração de fraqueza do governo, que está apelando para o autoritarismo porque está cada vez mais debilitado”, disse Eduardo Amadeo, da Frente Peronista. “Seria uma amoralidade absoluta fechar um meio de comunicação independente porque acusa a presidente de cometer crimes”.

Denúncias - 
A ameaça de intervenção acontece após uma chuva de denúncias de corrupção do Clarín contra o governo de Cristina Kirchner. A cada domingo, o jornalista Jorge Lanata, do Canal 13, do Clarín, apresentava uma nova acusação. Um desses casos foi o chamado “Lázarogate”. Na semana passada, a ex-secretária e amante de Néstor Kirchner Miriam Quiroga disse que sacolas cheias de dinheiro oriundas de operações ilegais eram entregues na Casa Rosada.