Evandro Éboli
O Globo
Ministro afirmou que governo não atrairá profissionais de países com situação pior na saúde, e citou Bolívia e Paraguai
Ailton de Freitas / Arquivo O Globo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha
BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou no início da tarde desta terça-feira que o governo ainda analisa o modelo a ser adotado pelo país para contratar médicos estrangeiros. Padilha reuniu-se com a direção da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que defende com veemência a vinda destes profissionais de outros países.
O ministro afirmou que, até agora, há apenas duas certezas em relação a esse programa, que ainda não tem data para entrar em vigor: não haverá validação automática dos diplomas dos estrangeiros e, por isso, todos os médicos que desejarem vir para o Brasil passarão por exames e provas; e o governo brasileiro não vai estimular, e nem aceitar, profissionais de nacionalidades onde a relação médico/população for pior que a brasileira, que é de 1,7 médico para cada mil habitantes.
O ministro reafirmou que a prioridade é trazer médicos de Portugal e Espanha, que tem bons profissionais e são países que vivem crise econômica. Padilha não citou Cuba como alvo da "importação" desses profissionais e disse que o Brasil estuda modelos de contratação de médicos aplicados nos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Canadá. Segundo ele, 37% dos médicos que atuam na Inglaterra são estrangeiros. Nos Estados Unidos, esse índice é de 25% e, no Canadá, 22%.
— O país vive um momento crítico na falta de médicos. Tentou se cristalizar a ideia de que há médico suficiente e que o problema é distribuição no país. Mas esses números não se sustentam. Temos menos de dois médicos por cada grupo de mil habitantes. Não gostamos de perder para a Argentina, mas a relação lá é de 3,2 médicos para cada mil habitantes. Espanha e Portugal têm mais de 4. Cuba tem 6,3. Faltam médicos em nosso país — disse Padilha, que afirmou ser a prioridade formar mão de obra própria.
Uma as iniciativas para estimular formação de mais médicos é abertura de cursos nas periferias das grandes cidades e no interior, onde há ausência de profissionais.
— Precisamos incluir cada vez mais nos cursos de medicina filhos de trabalhadores, filhos da população mais pobre. Gente da região rural. Isso que vai facilitar fixação (de médicos) nesses lugares. Quando me formei, havia apenas duas negras na turma de 90 alunos. É preciso incluir cada vez mais — disse Padilha.
O ministro afirmou que nos países que "importam" médicos estrangeiros há duas políticas: de contratar especialistas de alta complexidade para atuar também em UTIs e fazer cirurgias e para atuar na atenção básica em locais mais remotos e pobres do país.
— Contratação de médicos estrangeiros não pode ser um tabu. A demanda dos prefeitos é de contratação de nove mil médicos. Não vou ficar assistindo e vendo essa pressão dos prefeitos sendo que há médicos em Portugal e Espanha formados e sem trabalho. São países que passam por uma profunda crise econômica e estão com médicos desempregados.
