Lucas Marchesini
Valor
BRASÍLIA - O governo descarta a validação automática dos diplomas de médicos formados no exterior, disse nesta terça-feira o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante reunião da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP). Ele não informou, porém, quantos médicos “importados” serão necessários ao Brasil nem quando será fechado esse projeto de trazer profissionais de fora do país.
Questionado sobre a possibilidade de trazer profissionais de Cuba, Padilha repetiu que “a prioridade é trazer médicos de Espanha e Portugal”. O ministro também descartou a possibilidade de “importação” de médicos de países com menos profissionais do que o Brasil, como Paraguai e Bolívia.
Modelos estudados pelo Ministério da Saúde envolvem a “importação” de médicos com restrições geográficas para atuação. “No Canadá, por exemplo, o profissional atua por cinco anos somente na atenção básica sem necessidade de uma prova de validação e, depois, se quiser atuar em outro lugar e competir com o médico local, passa pela prova de validação”, disse Padilha.
O ministro voltou a afirmar que a questão “não pode ser tabu”. E citou números de países como os Estados-Unidos, onde 25% dos profissionais de Medicina seriam formados em outros países, ou a Inglaterra, onde esse índice chegaria a 40%. No Brasil, essa relação é de 1,7%. “Faltam médicos no Brasil e precisamos tomar atitude para planejar o setor”, disse.
Cotado para eventual candidatura ao governo de São Paulo pelo PT em 2014, Padilha participou de encontro com a diretoria da FNP com outro potencial candidato ao Palácio dos Bandeirantes, o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho (PT). O assunto não foi levantado durante o encontro. Na única menção de um ao outro, Padilha elogiou Marinho dizendo que ele é um “prefeito que olha os detalhes” e que conta com “um fiscal mais detalhista ainda”, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As negociações sobre o candidato petista ao governo paulista têm passado pelo crivo de Lula.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Estando há mais de dez no poder, o PT conseguiu produzir tantos apagões que a gente até esquece de alguns ao tentar enumerá-los. Este apagão de profissionais da medicina que se junta ao de engenheiros, é a demonstração inequívoca das graves distorções que o governo petista vem provocando no ensino do país como um todo, desde os primeiros anos até a formação superior, onde a tônica tem sido quantidade de faculdades, em detrimento de formação de profissionais qualificados. Trata-se de um governo que, neste sentido, faliu faz tempo.
Além disto, aqueles profissionais que trabalham na rede pública de saúde, o fazem muito mais por amor à profissão do que pelas condições que lhe são oferecidas. Nem nos grandes centros urbanos, onde se supõe que estas condições sejam um pouco melhores das do interior do país, o cenário de miserabilidade se altera.