Cássia Almeida
O Globo
Ex-presidente do BC critica política do governo de não aumentar superávit primário
Laura Marques / Agência O Globo
Affonso Pastore, em palestra no Fórum Reis Velloso, no auditório do BNDES:
Há uma estrutura caótica de proteção tarifária
RIO – O Brasil vai continuar a crescer pouco e com investimento baixo. Essa é a conclusão do estudo do economista Affonso Celso Pastore, Marcelo Gazzano e Maria Cristina Pinotti, em sua apresentação no XXV Fórum Nacional nesta terça-feira, no Rio. Ele criticou a política expansionista do governo e diz que se o superávit primário não for maior, o país ficará preso no que chama da armadilha do baixo crescimento.
— O superávit primário, tirando as manobras fiscais do senhor Arno Augustin (secretário do Tesouro Nacional), está o mesmo de antes de 2010, quando o desemprego estava em 8% e a produção caia 20%. Isso não vai colocar a indústria em condições de lucratividade e aumentar a taxa de investimento.
Ele cita o pleno emprego, com a retenção de pessoal, e a situação mais desfavorável ainda da indústria que viu seu custo unitário do trabalho subir 17% frente à média histórica do valor no início de 2010, reduzindo a margem de lucro.
Para o economista, houve no governo um “profundo erro de diagnóstico ou ignorância crassa de teoria econômica” ao diminuir o superávit. Pastore afirma que é preciso austeridade fiscal, para provocar ajuste no preço relativo da indústria, intensiva em capital fixo, portanto com potencial de investimento maior:
— Mas o retorno é a longo prazo. Haverá queda de salários. O que irá valer, os objetivos econômicos ou políticos nesse momento? Bem, a indústria vai continuar sofrendo e o Brasil continuará crescendo pouco.
O ex-presidente do Banco Central também criticou a política do governo de criar tarifas de importação para defender a indústria nacional. Para ele, “há uma estrutura caótica de proteção tarifária”:
— Vale mais quem se conhece em Brasília do que o que se conhece. Sociedade de troca de favores, sem uma política econômica que faça o país crescer.
