Míriam Leitão
O Globo
A presidente Dilma propôs um pacto pela estabilidade fiscal e combate à inflação. Adianta pouco uma proposta como essa se o governo faz uma grande confusão com os números das contas públicas. Hoje, ninguém sabe aferir até que ponto as contas estão sob controle ou não.
Até o estabelecimento de metas fiscais, de superávit primário, de inflação, o trabalho foi longo, durou duas décadas. Foram criados critérios, alterados recentemente pelo governo. De uns tempos para cá, a cada mês surge uma novidade, uma nova forma de fazer a conta.
A primeira coisa que o governo tem de fazer é o dever de casa federal: transparência nas contas públicas e ajuste dos números por critérios que possam ser acompanhados.
Tem de saber onde vai cortar, já que quer investir mais. O governo tem reduzido investimento para aumentar os gastos de custeio. Agora, fala em investir R$ 50 bi em mobilidade urbana, mas tem de saber de onde vai sair o dinheiro.
Propõe um pacto, como se ele não fosse parte essencial do problema fiscal do Brasil hoje.
Olhando para o histórico recente, notamos que o governo gasta menos do que está previsto no Orçamento para investimento, ano após ano.
Hoje, é prioritário melhorar o transporte público, porque o Brasil está "preso" no trânsito.