sexta-feira, julho 12, 2013

6 diferenças entre os protestos de junho e os desta 5ª-feira

Marco Prates
Exame.com

Embora aproveite o clamor dos protestos de junho, a greve geral convocada para hoje pelas centrais tem pouco em comum com as manifestações do mês passado. Confira 6 diferenças

Roberto Parizotti / CUT 
Greve geral: trabalhadores metalúrgicos em manifestação
 em São Bernardo do Campo hoje, 11 de julho

As oito centrais sindicais do país sentiram o ambiente favorável para protestos no Brasil após as manifestações de junho e convocaram uma grande greve geral na tentativa de pressionar o governo a atender uma pauta de reivindicações.

Mas o que os brasileiros viram nas ruas nesta quinta-feira tem muito pouco em comum com o movimento que chegou a, em apenas um dia do mês passado, levar mais de um milhão de brasileiros às ruas.

Veja abaixo seis diferenças entre o turbilhão de protestos do mês passado e o ato dos trabalhadores no chamado “Dia Nacional de Lutas”.

1) As demandas

Junho: Os protestos do mês passado, é bem verdade, tiveram como estopim apenas o aumento das tarifas de transporte público em São Paulo, mas logo pendeu para, como convencionou-se dizer, “tudo que estava errado”. As principais causas de indignação eram a corrupção, a impunidade e a má qualidade dos serviços públicos, principalmente na saúde e educação. Entraram ainda pontos específicos como a PEC 37 e o projeto da “cura gay”, ambos enterrados na Câmara, no momento.

11 de julho: A pauta de hoje se refere às demandas dos trabalhadores sindicalizados e são, portanto, mais específicas. São elas: redução da Jornada de Trabalho para 40 horas semanais, contra o PL 4330, que trata de terceirização; fim do fator previdenciário; 10% do PIB para a Educação; 10% do Orçamento da União para a Saúde; transporte público e de qualidade; reforma agrária e suspensão dos Leilões de Petróleo.

2) Convocação

Junho: Convocações eram feitas pelas redes sociais, onde a adesão explodiu, no que foi considerado um grito espontâneo da sociedade. Os eventos eram marcados com poucos dias de antecedência. Em São Paulo, eram centralizados pelo Movimento Passe Livre.

11 de julho: O chamado foi feito por todas as centrais sindicais, que decidiram pela greve com duas semanas de antecedência e contam com grande articulação com seus sindicatos filiados em todo o país.

3) Horário

Junho: O detalhe é bobo, mas não pode passar despercebido. No mês passado, as manifestações ocorriam no horário da noite, o que permitiu a participação das pessoas que estudavam ou trabalhavam. 

11 de julho: Como a ideia é mostrar força e pressionar o governo, os protestos das centrais miravam as ruas e rodovias durante o dia,parando a circulação de pessoas e mercadorias, além do transporte público. O metrô não funcionou em Belo Horizonte (MG), nem os ônibus em Vitória (ES) ou Porto Alegre (RS). Mesmo assim, os transtornos foram menores do que os imaginados em São Paulo na manhã desta quinta. 


Protesto no Rio de Janeiro no dia 20 de junho

4) Liderança

Junho: Embora sem dúvida o Movimento Passe Livre tenha saído como o grande ativador da insatisfação que tomou as ruas, a articulação do grupo estava principalmente em São Paulo. Não havia, no entanto, uma liderança centralizadora, menos ainda em âmbito nacional (mesmo em São Paulo, o MPL reclamou que a pauta estava sendo acrescidas de projetos dos quais discordava). 

11 de julho: Todas as oito centrais do país se reuniram para definir uma pauta comum e atuaram com manifestações onde têm maior articulação. As centrais sindicais têm grande força política, mantendo constante diálogo com o governo. Quando o Brasil pegava fogo em junho, as autoridades de Brasília ficaram sem saber com quem dialogar. Apesar do desentendimento das centrais em alguns tópicos nesta quinta-feira, como o apoio ou a oposição à presidente Dilma Rousseff, os protestos de hoje trouxeram lideranças organizadas.

5) Ineditismo

Junho: Desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, não se via tanta participação popular no Brasil, com pessoas de todas as idades participando de manifestações. Tudo soou, aos olhos de uma geração de brasileiros, como uma imensa novidade, daí os cartazes de “o gigante acordou” carregado pelos manifestantes. O “despertar” acabou sendo visto como uma “primavera brasileira” pela mídia internacional. 

11 de julho: Entra ano, passa ano, as centrais preparam atos, principalmente nas grandes cidades. Não faltam exemplos em Brasília e São Paulo. Não se pode desconsiderar, no entanto, o ineditismo de todas as 8 centrais se unirem para uma ação unificada em território nacional, com alcance bem maior.

6) Tamanho

Junho: A adesão dos brasileiros foi maciça. No Rio de Janeiro, no dia 20 de junho, a estimativa é que 300 mil pessoas tenham ido às ruas. No mesmo dia, na Avenida Paulista (SP), foram 100 mil.

11 de julho: Ainda é preciso aguardar para ver quantas pessoas participarão dos grandes eventos marcados para hoje. Notadamente, do encontro às 12h na Avenida Paulista, e às 15h, na Candelária, no Rio de Janeiro. Em Brasília, haverá passeata na Esplanada dos Ministérios também às 15h. Mas, com ações pulverizadas, é dado como improvável que esses encontros reúnam tantas pessoas quantas as manifestações de junho. O intuito, porém, não é apenas reunir grande pessoas, já que o movimento mostra força com a paralisação dos trabalhadores. Esta matéria será atualizada quando houver estimativa do número de participantes das passeatas e balanço de pessoas que não trabalharam nesta quinta.