Gabriel Castro
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Convocado para falar em comissão do Senado, ministro diz que país ainda está na "infância" do desenvolvimento de tecnologias eficientes na área
(Wilson Dias/ABr)
Celso Amorim: redes brasileiras são vulneráveis
O ministro da Defesa, Celso Amorim, reconheceu nesta quarta-feira que o sistema de defesa cibernética brasileiro é vulnerável a ataques e disse que o país ainda está na “infância” do desenvolvimento de tecnologias que possam impedir episódios como o monitoramento de e-mails e telefonemas por parte do governo americano, revelado no final de semana pelo jornal O Globo. Amorim participa de uma audiência pública sobre o caso na Comissão de Relações Exteriores do Senado, ao lado dos titulares das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e do Gabinete de Segurança Institucional, José Elito Siqueira.
“Não estamos ainda nem na adolescência, estamos na infância em relação a muitos desses temas. E as vulnerabilidades existem e são muitas”, afirmou Amorim. O ministro disse que o Orçamento de 2013 prevê pouco menos de 100 milhões de reais para o desenvolvimento de mecanismos que impeçam ataques cibernéticos. “O que precisa ser feito é muito mais do que nos estamos fazendo ainda. Isso envolve recursos”, disse.
O ministro lembrou ainda que o desenvolvimento de tecnologias próprias é essencial para o fortalecimento das defesas brasileiras contra ataques cibernéticos. “Não basta nós termos uma disposição de fazer a defesa das nossas estruturas, é necessário que tenhamos equipamentos e softwares produzidos no Brasil com a segurança adequada”, disse Amorim.
O general José Elito afirmou que o sistema funciona de forma “razoável”, mas também disse que os investimentos estão aquém do necessário. Ele disse ainda que as revelações feitas por Edward Snowden, ex-agente americano, não foram recebidas com total surpresa: “Isto não é desconhecido, é um dos cenários prioritários de acompanhamento de todo o sistema. O novo é que a notícia foi uma informação divulgada por um agente do próprio sistema americano”, disse o ministro.
Já o chanceler Antonio Patriota afirmou que o governo vai buscar soluções para o caso em organismos internacionais. “Estão em jogo a soberania do Brasil e o respeito à nossa legislação dentro do nosso território."
Os três ministros se reuniram na manhã desta quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff e os responsáveis pelas pastas da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Comunicações, Paulo Bernardo. O encontro terminou sem o anúncio de medidas concretas.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Vejam lá a declaração do general Elito: “...o sistema funcional de forma “razoável”, mas os investimentos estão aquém do necessário”.Vejam ainda, mais abaixo, reportagem da Folha de São Paulo que as operações de espionagens feitas pelo governo americano são do conhecimento do governo brasileiro desde 2001.
É importante ressaltar este trecho: “...O governo brasileiro já reconheceu por duas vezes, em 2001 e em 2008, que os EUA comandavam um sistema de coleta de informações que tinha a capacidade de "intromissão em comunicações eletrônicas" em todo o mundo...”
Portanto, a vulnerabilidade do sistema revela a negligência dos governantes para um processo que deveria ter recebido melhor atenção.
Este ar de indignação que agora se observa no governo Dilma e seus companheiros, é apenas joguinho de cena para encobrir a ação incompetente do próprio governo.
E, por favor dona Dilma, não venha com a desculpa do “eu não sabia de nada”. Tanto sabia que em 2008 vossa excelência era chefe da Casa Civil, e a informação cruzou por sua mesa.
Já presidente, simplesmente tratou assunto de tamanha importância com total descaso, razão pela qual os “investimentos estão aquém do necessário”.
