quinta-feira, julho 11, 2013

Petrobras ajusta balanço contra impacto do câmbio

Bruno Villas Bôas e Daniel Haidar 
O Globo

Companhia passa a usar norma contábil que pode amenizar queda no lucro da empresa do segundo trimestre

RIO - Pressionada pela escalada do dólar, a Petrobras anunciou na noite de quarta-feira uma nova forma de contabilizar o impacto do câmbio em seu balanço, o que pode, na prática, amenizar uma queda no lucro da empresa no segundo trimestre. Em comunicado, a empresa disse que, desde maio, passou a aplicar em seus resultados uma norma contábil que permite que o aumento em reais de sua dívida em moeda estrangeira — o que ocorre quando o dólar se valoriza — tenha seu impacto compensando pela receita futura, também em moeda estrangeira, com exportação de petróleo.

Na nota, a Petrobras informou que “70% da dívida líquida” será protegida “por 20% das exportação, por sete anos”. E acrescentou que a medida “permite que os resultados contábeis sejam melhor alinhados à sua realidade econômica e operacional”.

Em junho, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, reconheceu que o dólar em alta não é bom para a companhia, por causa da dívida em moeda estrangeira. Esta semana, Graça disse que a estatal “tem caixa” para buscar mais do que 30% de participação em Libra, no primeiro leilão do pré-sal.

Para o professor de ciências contábeis da USP Eliseu Martins, a mudança, que faz parte da chamada “contabilidade de hedge” (hedge accounting, em inglês), seria um avanço.

— A dívida em moeda estrangeira pode produzir uma abrupta perda ou lucro no balanço das empresas. Os resultados ficam instáveis — disse Martins. — Mas isso precisa ser bem feito. A Petrobras não pode prever que vai ter uma exportação e voltar atrás.

A diretora da Anefac, Maria Helena Pettersson, diz que o mecanismo usado pela Petrobras, de vincular variações cambiais de exportações a dívidas em moeda estrangeira, seria inédito:

— Isso pode evitar que o prejuízo suba muito. E chama a atenção como a Petrobras conectou recebíveis a essas dívidas. É comum a contabilidade de hedge, mas a forma como ela utilizou é inédita e precisamos de detalhes para entender como foi feita — disse Maria Helena.

Segundo Ivan Nacsa, sócio do Grupo FBM, especializado em contabilidade de hedge, a Petrobras evita ter que recorrer a operações de proteção na BM&F:

— Esse tipo de operação é cara, mesmo para alguém do porte da Petrobras.