Valéria Maniero
O Globo
O Brasil aprendeu a lição e não tolera alta exagerada de preços, mas nossos vizinhos ainda convivem com uma inflação de dois dígitos que parece coisa do passado. Deixemos, hoje, a Argentina de lado e nos concentremos no caso da Venezuela. Em artigo publicado hoje no "El Nacional", o economista venezuelano Pedro Palma conta que a inflação no primeiro semestre chegou a 25% e, no acumulado em 12 meses, está bem próximo de 40%. Para piorar, ainda deve aumentar mais.
Isso significa que a Venezuela tem a maior inflação da América Latina e uma das mais altas do mundo. Os alimentos também foram os principais vilões por lá, mas os números mostram que subiram bem mais do que no Brasil.
- Uma coisa muito grave é a intensidade da alta dos alimentos que, em 12 meses, tiveram um aumento médio de 57,5%, com destaque para os produtos agrícolas, com alta de 75% no mesmo período - diz o economista, no artigo publicado no jornal venezuelano.
Para efeito de comparação, a inflação no Brasil, pelo IPCA, chegou a 6,7% em 12 meses, superando o teto da meta pela décima vez no governo Dilma, mas deve desacelerar um pouco até o fim do ano. Nesse mesmo período, os preços dos alimentos subiram 12,80%.
O economista diz que preocupa a falta de iniciativa do governo da Venezuela para mudar a gestão da política econômica.
- Parece que os responsáveis não estão cientes da gravidade do problema inflacionário. Se as coisas continuarem como estão, será alto o preço que pagaremos - afirma Palma.
Em dezembro do ano passado, o economista escreveu um artigo sobre a inflação dizendo que a desaceleração vista no ano passado no país era artificial e não se sustentava, por não ser resultado de uma política antiinflacionária eficiente, mas sim de um represamento artificial e temporal da inflação. Isso aconteceu, segundo ele, por conta de um intenso controle de preços e importações de produtos de consumo com divisas subsidiadas e artificialmente baratas.
A Venezuela sente agora as consequências dessa prática que só trouxe ainda mais danos à combalida economia.