Carolina De Oliveira Castro
O Globo
Consórcio estuda possibilidade de devolver o Maracanã
Governador anuncia decisão após reunião no Palácio Guanabara
Parque Aquático Júlio de Lamare também será mantido
Alexandre Cassiano / Agência O Globo
O estádio Célio de Barros em janeiro de 2013, fechado por conta
da reforma do Maracanã e transformado em canteiro de obras gigante
RIO - O governo do estado desistiu de demolir o Estádio de Atletismo Célio de Barros, no complexo esportivo do Maracanã. A informação foi dada na manhã desta sexta-feira pelo governador Sérgio Cabral, após reunião no Palácio Guanabara com o secretário de Estado de Esporte e Lazer, André Lazaroni, e o presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (Farj), Carlos Alberto Lancetta. Na semana passada o governo já tinha recuado também da ideia de derrubar o Parque Aquático Júlio de Lamare. Os dois dariam lugar a prédios no projeto do novo Maracanã, conforme tinha sido acertado com o consórcio formado para participar da licitação de concessão, composto pelas empresas Odebrecht, IMX e AEG.
- Continuo acreditando que a gente fez um modelo de PPP (Parceria Público-Privada) que era o ideal e deixaria o Maracanã mais confortável talvez para todo mundo. Mas diante do pedido do Iphan para não demolir e da Justiça também para não demolir, e de todos os apelos dos atletas, optamos por manter o Célio de Barros - afirmou o governador.
O presidente do Complexo Maracanã S.A., que administra o estádio, João Borba, recebeu 20 dias para analisar a situação e ver como fica o novo plano de negócios, agora que o projeto mudou, com a manutenção do Célio de Barros e do Júlio de Lamare. Ficou no ar a possibilidade de o Maracanã ser devolvido ao governo do estado. Borba ficou surpreso com a decisão.
- Fui pego de surpresa. Não contava com essa possibilidade e agora vamos precisar refazer as contas e os estudos para ver se o Maracanã é possível de ser mantido. Em 20 dias, vamos dar uma resposta ao governador - afirmou Borba.
Por mais que o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) permitisse a derrubada do Célio de Barros e do Júlio de Lamare, não seria permitido a construção de dois prédios na região. O projeto original previa a construção de dois edifícios-garagem que gerariam um lufro de R$ 19 milhões quando ficassem prontos em 2016.
O presidente da federação de atletismo elogiou a decisão sobre o Célio de Barros. Ele ficou emocionado com o desfecho do caso, pois considera o estádio um patrimônio do esporte no país.
- Fico satisfeito com a decisão. Apesar de o estado ter proposto um equipamento mais moderno, o Célio de Barros sempre teve um valor histórico para o atletismo. Os atletas queriam que ele fosse mantido - disse Lancetta.
