sábado, agosto 03, 2013

Tratamento de esgoto ainda é promessa no Grande Rio

Editorial
O Globo

Vários municípios da região metropolitana, muito populosos, apresentam indicadores de saneamento básico calamitosos. Todos atendidos pela estatal Cedae

Equivale a chover no molhado, mas é sempre bom repetir uma relação de causa e efeito comprovada na prática: para cada R$ 1 de investimento em saneamento básico poupa-se R$ 4 em gastos com saúde pública.

Certamente, a situação da rede pública de saúde na Baixada Fluminense não seria tão dramática, com enorme pressão sobre os hospitais e postos de atendimento, se a região já contasse com serviços de coleta e tratamento de esgoto amplamente distribuídos.

Após décadas de execução de um programa que se propõe a despoluir a Baía de Guanabara, os resultados alcançados ainda ficam muito aquém do prometido. Estações de tratamento de esgotos ficaram prontas, mas sem poder funcionar porque não foram feitas as ligações residenciais com a rede coletora. Assim, os municípios de São João do Meriti, Queimados, Teresópolis, Seropédica e Magé, todos bem populosos, não têm tratamento de esgoto. Já São Gonçalo, Belford Roxo e Mesquita também não têm o quê comemorar, pois atendem menos de 10% da população com esse tipo de tratamento.

Ainda que os números da capital tendam a melhorar bastante por conta de um programa de parceria público-privada que arcará com o investimento necessário para tratar a maior parte do esgoto coletado na Zona Oeste até 2016, ano das Olimpíadas, o último retrato que se tem do saneamento básico no Rio é angustiante: cerca de 48% da população não contavam com esse serviço.

É um quadro que se deve fundamentalmente a uma questão corporativa. O Estado resistiu de todas as formas à entrada de outros concessionários nas áreas não atendidas pela Cedae, apenas para que a companhia estadual mantivesse este “mercado” sob seu completo domínio.

A capacidade de investimento da Cedae é mínima em relação aos desafios que precisa enfrentar. Nos últimos anos, muita energia precisou ser consumida para rearrumar a casa, cujas finanças estavam comprometidas com dívidas pesadas até com o Tesouro Nacional e o fundo de previdência complementar dos funcionários. Ao menos esses problemas foram resolvidos ou caminham para uma solução.

No entanto, não é possível ficar esperando anos e anos a fio para que essa rearrumação produza os resultados capazes de alterar o retrato ruim do saneamento básico na região metropolitana do Rio de Janeiro, tema de série de reportagens de O GLOBO. Em São Paulo, a companhia estadual (Sabesp) fez avanços consideráveis. Em Minas Gerais, idem. Uma parte dos royalties do petróleo no Rio se destina a um fundo de meio ambiente (Fecam), que em liberado recursos para o saneamento básico e era de se esperar que bons indicadores já tivessem começado a aparecer também por aqui.