Eduardo Bresciani
Agência Estado
Regras de segurança da Casa, invadida pela segunda vez em quatro meses, foram discutidas entre líderes de bancada nesta quarta-feira; Arlindo Chinaglia (PT-SP) opina: 'não pode entrar ninguém'
Arlindo Chinaglia (PT-SP),
quer adotar uma proibição que nem a ditadura se dispôs a fazer
Depois de o plenário da Casa ser invadido pela segunda vez em quatro meses na terça-feira, 20, líderes da Câmara se reuniram nesta quarta, 21, para debater mudanças nas regras de segurança. A intenção é restringir o acesso de visitantes e manifestantes. Entre as propostas levantadas, está a de proibir a entrada da imprensa dentro do plenário, medida que não foi adotada nem sequer durante a ditadura militar.
A sugestão de impedir a atuação da imprensa dentro do plenário foi levantada pelo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). "No plenário, a não ser parlamentar e assessor, não pode entrar ninguém. Isso é em qualquer Parlamento do planeta. Inclui a própria imprensa. A imprensa não pode, como às vezes acontece, entrevistar um líder ao lado do microfone", afirmou o petista. A ideia obteve apoio de alguns líderes na reunião.
O primeiro secretário da Casa, Márcio Bittar (PSDB-AC), comandará o debate sobre as novas regras de segurança. Ele não quis adiantar sua posição sobre a possibilidade de incluir a proibição da atuação da imprensa na norma. À noite, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que não apoiará a proposta e que a intenção é apenas pactuar com jornalistas regras de atuação dentro do plenário, evitando, por exemplo, a ocupação da parte central, de uso exclusivo dos deputados.
Entre as medidas em estudo está a de criar mecanismos para que os visitantes tenham acesso a apenas lugares específicos. Por exemplo, um cidadão que deseja visitar um gabinete ou acompanhar uma comissão não teria livre-acesso pela Casa. Também passaria a ser mais rígido o controle da entrada do Salão Verde, espaço que dá acesso ao plenário.
*****COMENTANDO A NOTÍCIA:
Só podia ser um petista a querer bloquear o trabalho da imprensa. Esta turma não se emenda mesmo!
Quem invadiu o Congresso, senhor Chinaglia, não foi a imprensa. Foi um bando de desordeiros que, na falta de coisa mais útil para fazer, resolveu invadir o plenário e impedir o trabalho legislativo. A imprensa cumpriu apenas a sua missão constitucional de informar a sociedade sobre a falta de segurança que se mostrou visível (apesar da inchada "tropa legislativa".
Querer adotar uma prática que nem a ditadura militar impôs, é cretinismo explícito. Afinal, de que tem medo esta gente em relação à imprensa, hein? Que ela informe o eleitor das patifarias que são cometidas pelos políticos e agentes públicos?
