Adelson Elias Vasconcellos
Entra semana, sai semana, e a gente continua convivendo com sucessivos recordes históricos na economia por conta do governo Dilma. O diabo é que tais recordes são cada vez mais negativos e indica que as escolhas da soberana estão completamente fora de rota, se o que se deseja é progresso e desenvolvimento.
Quando a economia mundial bombava em ritmo nunca experimentado na história, com a China e Índia consumindo adoidado, os preços das commodities explodia no mercado internacional, commodities de que o Brasil é excelente produtor e vendedor. Naquele ritmo frenético, e apesar do câmbio supervalorizado da nossa moeda, que tornava nossos produtos lá fora mais caros, a agropecuária nacional fez a festa da balança comercial. Chegamos a produzir um superávit anual perto dos US $ 50 bilhões. Foram anos dourados que proporcionaram ao país compor as reservas internacionais que o sustentam e lhe dão estabilidade. Virtude do governo? Não, virtude do nosso agronegócio tão demonizado pelo próprio governo. Mas na propaganda oficial...
Mas este tempo passou. Como o país não se preocupou em desenvolver uma política industrial competente, e vivendo dias de retração do comércio internacional, seja pela União Europeia seja pelos países emergentes, nossas exportações pararam de subir. E o que é pior. Com o incentivo ao consumo além da capacidade de oferta interna, o desequilíbrio passou a ser sustentado cada vez mais pelas importações, que passaram a viajar num curva cada vez mais ascendente. Desde 2009, nossos superávits comerciais vem despencando e nada do governo mudar suas políticas.
Pelo contrário: o governo Lula e mesmo o governo Dilma continuaram insistindo em expandir o crédito ao consumo de forma irresponsável e a praticar políticas tributárias de incentivo a gastança popular. O resultado disso foi o endividamento das famílias, o aumento da inadimplência e a necessidade cada vez maior de suprir esta demanda com importados.
Com sucessivos recordes de gastos dos brasileiros no exterior, o resultado foi a fuga impressionante de renda para fora. Geramos emprego e renda para os outros. Jamais o governo procurou atrair este consumo externo para seu mercado interno. As tais desonerações pontuais beneficiavam apenas atividades industriais específicas, nunca toda a cadeia produtiva. Sem incentivo para produzir em larga escala, suportando um proibitivo custo Brasil, e com financiamentos camaradas via BNDES destinados apenas aos tais chamados “campeões nacionais” (da qual Eike Batista foi um dos privilegiados), a industria nacional perdeu espaço, perdeu competitividade, perdeu relevância. Claro que ainda temos algumas ilhas com excelente capacidade de competir e sobreviver. Mas são poucas. Grande parte do nosso diversificado parque industrial foi substituído por distribuidoras de importados. Algumas industrias, até com linhas de crédito do próprio governo, passaram a migrar para o exterior e de lá enviar sua produção para o Brasil. Por incrível que pareça, era mais barato do que produzir aqui...
Um destes efeitos ruins foi o fechamento de mais de um milhão de postos de trabalho na indústria brasileira. O outro foi a redução cada vez maior da participação da indústria no PIB nacional. Quem nunca ouviu falar da desindustrialização brasileira?
Esta aberração vem sendo denunciada há muito tempo sem que o governo reconheça seus erros e mude sua política.
Vimos reportagem da Folha de São Paulo que boa parte do déficit acumulado atual se deve a importação de petróleo em quantidades cada vez maiores. E por quê? Também por culpa da má política do governo petista, com incentivos bilionários ao transporte individual que entupiram estradas e cidades, em detrimento do transporte coletivo. Hoje, o termo da moda é mobilidade urbana, mobilidade afogada numa política maluca de um governo que jamais soube fazer a leitura correta das necessidades do país. E, no embalo desta política, o governo petista levou a Petrobrás a perder capacidade de investimento e quase afundou a produção de etanol.
Agora, estamos colhendo os maus frutos dos maus governos Lula e Dilma. E para sair do buraco em que nos metemos haverá que impor novos sacrifícios ao país e aos brasileiros que, aliás, pouco puderam aproveitar do oba-oba dos novos tempos. Se analisarmos a renda média dos trabalhadores brasileiros, vamos observar que seu crescimento ficou muito aquém do tanto que poderiam ter crescido se os governos tivessem chegado ao poder com um projeto de país e não apenas com um projeto de hegemonia política.
Porém, nem todos os países cometeram ou repetiram nossos erros. Mesmo aqui no continente sul-americano, vários vizinhos não se prenderam nas amarras de um Mercosul, verdadeiro atraso de vida e de comércio bilateral. Deste modo, optaram por diversificar acordos de comércio com o restante do mundo, e não com poucos. O absurdo é o Brasil depender da boa vontade de Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela para firmar acordos bilaterais. Como estas economias vivem às turras com suas próprias incompetências, acaba o Brasil deixando de aproveitar seu imenso potencial atrelado que está a parceiros que mais jogam contra do que a favor.
É fácil para o governo atribuir este déficit ao dólar. Mas isto é falso. O dólar apenas acentuou nossas más escolhas, nossas políticas inadequadas para os tempos de agora, nossas deficiências quer já vem se arrastando há bastante tempo. Como seria bom se o governo Dilma viesse a público e se declarasse culpado pela má condução da política econômica. Porém, como a prepotência sempre falará mais alto para esta gente, teremos que torcer para, em 2014, o povo brasileiro escolher governantes que tragam consigo projeto de país, conduzidos por gente competente e sem preconceitos, e não apenas projeto de poder do partido hegemônico, comandado por celerados.