domingo, agosto 04, 2013

Parlamentares gastam mais

O Estado de S.Paulo

Nos quatro primeiros meses da atual gestão do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) na presidência da Casa, a Câmara aumentou suas despesas em R$ 131 milhões. Isso equivale a 9,4% mais na comparação com os gastos de igual período no ano passado, descontada a diferença da inflação.

Da mesma forma, apesar da economia prometida por seu presidente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o Senado também gastou, de março a junho de 2013, R$ 7,5 milhões mais do que o fizera em idêntico período no ano passado.

Estes dados, relativos aos meses iniciais de funcionamento desta legislatura, foram divulgados pela organização não governamental Contas Abertas. A Câmara dos Deputados gastou R$ 1,516 bilhão.

Esse total superou em R$ 131 milhões o gasto no mesmo período em 2012, corrigido pela inflação. O Senado gastou no começo deste ano R$ 1,19 bilhão, total maior que a soma de suas despesas no começo de 2012 mais a correção inflacionária: R$ 1,115 bilhão.

Essa descoberta revela a resistência dos legisladores a adequar suas despesas ao cenário da economia real, que não recomenda a expansão de tais desembolsos.

E, o que é pior, desmoraliza as promessas - que agora se comprovam ter sido apenas da boca para fora - dos presidentes das Casas de economizar para fazer frente à indignação popular.

No começo deste ano, 1,6 milhão de brasileiros assinaram uma petição para retirar Renan da presidência do Senado, tendo em vista seu envolvimento em vários escândalos. O parlamentar alagoano reagiu com o anúncio de medidas de economia que, na prática, pelo visto, não funcionaram - ou, no mínimo, não tiveram o efeito nem o alcance necessários.

Em junho, multidões saíram às ruas para clamar contra várias mazelas, entre as quais a licenciosidade com que parlamentares lidam com o patrimônio público, adquirido à base do sacrifício do cidadão que paga impostos. Isso levou o deputado Henrique Eduardo Alves a anunciar que reduzirá os gastos da Câmara.

Agora, em resposta à constatação de que a economia anunciada não teve efeito, a direção do Senado informou que reduziu funções comissionadas, deixou de nomear mais concursados, renegociou contratos de terceirização e diminuiu despesas com material de consumo, diárias e passagens aéreas.

Na mesma nota, atribuiu o aumento do total dos gastos à posse de 292 concursados no segundo semestre de 2012, ao reajuste salarial de 5% concedido aos funcionários e a um aporte de R$ 8,6 milhões para o fundo de previdência complementar destes, o Funpresp - item acrescentado às despesas da Casa.

Em fevereiro, o senador Renan Calheiros também prometeu reduzir os gastos com saúde, mas esteve bem longe de obter êxito nisso. De janeiro a julho, o Senado gastou R$ 77,8 milhões (ou seja, 74% do total da verba disponível) para custear despesas com saúde de senadores, ex-senadores, funcionários, ex-funcionários e familiares. Em 2012, o Senado, na presidência José Sarney (PMDB-AP), gastou com saúde R$ 115,2 milhões, o recorde do último decênio.

A retórica de economia com a qual o deputado Henrique Eduardo Alves tentou aplacar a fúria da multidão também desabou por causa, principalmente, do pagamento de gratificações a servidores da Câmara, que subiu de R$ 199,1 milhões para R$ 230,9 milhões - crescimento de 15,9%. A saúde aparece ainda como um complicador entre os deputados federais. No ano passado, o então presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), assinou ato acabando com o limite de ressarcimento aos parlamentares de seus gastos com o setor.

A generosidade com o chapéu alheio (no caso, o de todos os cidadãos) elevou os gastos totais da saúde para R$ 50 milhões, representando crescimento de 27,8%.

O abismo entre o orçamento do Legislativo e a economia real e as tentativas canhestras de ocultá-lo com desculpas amarelas revelam o desprezo que nossos representantes têm pelo bolso do cidadão.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Se gastassem o que gastam mas, ainda assim, trabalhassem produzindo coisas úteis, vá lá!

Mas não são só os parlamentares os culpados pela farra inútil (inútil para o país, não para eles), de dinheiro público.

Todos sabem que, pendurado na estrutura do Executivo, temos cerca de 23 mil cargos de favor, quase sua totalidade totalmente inútil, ocupados por gente mais inútil ainda.

É tamanha a balbúrdia que está faltando bom senso na hora de nominar os cargos que esta gente ocupa. Querem ver? 

Segundo informa a coluna Painel da Folha, temos que suportar a existência de um  tal “coordenador na Coordenação da Coordenação-Geral de Produtividade do Departamento de Produtividade e Inovação da Secretaria de Competitividade e Gestão da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República”

É mole?