sexta-feira, agosto 16, 2013

OSX tenta rolar dívidas de R$ 827 milhões com BNDES e Caixa

Bruno Villas Bôas 
O Globo

Dívidas vencem em outubro e negociações estão em fase avançada, diz empresa

RIO - A OSX Brasil, empresa do setor de construção naval do grupo EBX, do empresário Eike Batista, está negociando com o BNDES e a Caixa Econômica Federal (CEF) a rolagem de dívidas que somam R$ 827,8 milhões e que vencem em dois meses, no próximo mês de outubro. Os valores referem-se a financiamentos para construção do estaleiro da empresa no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), sendo R$ 427,8 milhões com o banco de desenvolvimento e R$ 400 milhões com a Caixa.

— Estamos negociando as condições de rolagem. Elas já avançaram bastante, mas não estão concluídas. Posso dizer que não existe garantia em primeira grau de ativos da companhia — disse Luiz Guilherme Esteves Marques, diretor financeiro e de relações com investidores da OSX, em teleconferência com analistas.

A OSX Brasil fechou o segundo trimestre deste ano com um endividamento de R$ 5,3 bilhões, sendo R$ 1,7 bilhão referentes à unidade de construção naval. Outros R$ 670 milhões referem-se ao FPSO OSX-1; R$ 1,6 bilhão ao FPSO OSX-2; R$ 1,1 bilhão ao FPSO OSX-3; e mais R$ 260 milhões em outros financiamentos.

O presidente da OSX Brasil, Carlos Eduardo Bellot, disse na teleconferência que a mudança de controle da LLX, braço de logística do grupo EBX que desenvolve o Porto do Açu, não vai ter impacto sobre a empresa. Na última quarta-feira, a LLX e Eike anunciaram ter assinado um termo de compromisso pelo qual a americana EIG fará uma injeção de R$ 1,3 bilhão na LLX e se tornará o novo acionista controlador da empresa.

— Com relação ao recente negócio anunciado pela LLX, nós vemos com bons olhos, é um caminho que o grupo estava perseguindo, mas não tem impacto direto na OSX. Eu diria que foi mais ou menos a mesma solução da MPX, e é por aí que o grupo vai caminhar. Fiquei bastante satisfeito com deal anunciado — disse Bellot.

Na noite de ontem, a OSX divulgou que fechou o segundo trimestre deste ano com um com um prejuízo de R$ 152,68 milhões, uma perda 2.317% maior do que no segundo trimestre do ano passado (R$ 6,31 milhões) e 637% maior do que do primeiro trimestre (R$ 20,7 milhões).

No início de julho, com a crise das empresas X, a OGX Petróleo cancelou encomendas feitas ao estaleiro. Fora interrompidos projetos como de plataformas FPSOs como OSX-4 e OSX-5 e WHPs 1, 3 e 4. Na carteira do estaleiro seguem projetos de clientes como Sapura e Petrobras.

A empresa espera agora receber, entre 24 e 27 deste mês, a plataforma OSX-3. A expectativa é que a unidade seja instalada, no fim do quarto trimestre, no campo de Tubarão Martelo,na Bacia de Campos. A empresa reconheceu, no entanto, que condições de mar e tempo podem adiar a instalação da unidade para janeiro do próximo ano.