quarta-feira, setembro 18, 2013

Estamos fazendo uma reavaliação grande nas concessões, diz Dilma

Renan Carreira e Beatriz Bulla
Agência Estado

A presidente comentou que, quando não for possível conciliar o desejo dos empresários com relação à Taxa Interna de Retorno e o da população, o governo fará obras públicas 

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira (17) que o governo vai fazer uma avaliação específica de cada estrada do Programa de Investimentos em Logística, mas afirmou que não se trata de "concessão fatiada". "Nós queremos fazer concessão com uma TIR (Taxa Interna de Retorno) adequada e tarifa adequada. Para cada estrada vamos fazer uma avaliação específica, não é concessão fatiada", afirmou durante entrevista a duas rádios gaúchas nesta manhã.

"Nós estamos fazendo uma reavaliação grande das concessões porque tem duas reivindicações que são às vezes contraditórias e que não fecham. De um lado se exige uma TIR muito elevada, de outro lado se exige uma tarifa, um pedágio muito baixo", disse. "Ninguém pode querer concessão sem pagar pedágio. Não existe, é conto de fada. Se tiver concessão vai pagar pedágio. Ninguém pode querer uma concessão baixinha e uma remuneração elevadíssima. O governo federal está se reservando o direito de analisar uma a uma essas estradas", completou.

A presidente comentou que, quando não for possível conciliar o desejo dos empresários com relação à Taxa Interna de Retorno e o da população, o governo fará obras públicas. "De um lado, o empresário quer uma TIR mais alta possível, de outro a população quer o pedágio mais baixo possível. Quando for prático, concreto, efetivo unir as duas coisas, vamos unir. Quando não der para unir, vamos fazer obra pública." Ela afirmou que é "absolutamente natural" que o empresário tenha remuneração.

Segundo Dilma, as rodovias concedidas antes de 2003 previam apenas a administração das rodovias, mas não estava prevista a duplicação. "Como nós respeitamos contratos, esses contratos agora vão findar", disse, afirmando que agora serão feitas as duplicações necessárias.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É  bom que a reavaliação consiga expurgar do pensamento da dona Rousseff, seu enorme preconceito contra o capital privado. Se afastar de si este sentimento, então poderá entender que, em primeiro lugar, “investimento” é muito diferente de “benemerência”,  que não existe capitalismo sem lucro e que é  próprio da atividade o risco  de conseguir fazer mais ou menos com o valor investido. Tabelar “taxas de retorno de investimento” é um absurdo. 

Além disto,  e conforme lembramos aqui ontem, as escolhas não podem se mirar na “menor tarifa “ como pretende o governo, e sim na capacidade de realizar os investimentos programados e, a partir daí,  atingir-se o menor valor  possível capaz de garantir o investimento.  Foi pela visão distorcida que se inaugurou em 2007, que as concessões petistas deram com os burros n’água e, ao que parece, vai se insistir no mesmo erro. Enquanto o governo de dona Rousseff sua visão distorcida sobre o capital privado, não haverá de seu plano de concessões decolar. Os leilões até podem se tornar exitosos, porém os resultados que se irá no futuro serão sempre frustrantes. 

Quanto ao discurso de que “...quando não for possível conciliar o desejo dos empresários com relação à Taxa Interna de Retorno e o da população, o governo fará obras públicas...” não passa de pura retórica.  Tivesse o governo um mínimo de capacidade de realizar os investimentos com recursos públicos, e não haveria necessidade dele agora estar recorrendo à iniciativa privada para realização das obras. Até porque, um governo que sequer consegue economizar o suficiente para satisfazer o serviço da dívida (o tal superávit primário), não terá farinha no saco suficiente para, em cinco anos, economizar R$ 350 bilhões para a recuperação da malha rodoviária brasileira. 

É o que dá gastar muito além das suas próprias receitas e em coisas absolutamente inúteis e distante do real interesse público e das necessidades mais prioritárias do país. Menos, dona Rousseff, menos...