quinta-feira, outubro 24, 2013

Cientistas criticam ativistas por furto de beagles

Felipe Frazão
Veja online

Sociedades de Biologia Experimental pedem punição de invasores. Ministro da Ciência diz que atitudes "marginais à lei" não podem ser toleradas

(Edison Temoteo/Futura Press) 
Ativista com cão da raça beagle que era usado para realização 
de testes no Instituto Royal em São Roque, São Paulo

A Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) publicou um manifesto em repúdio à invasão de ativistas e ao furto de 178 cães da raça beagle no Instituto Royal, em São Roque (SP), na madrugada da última sexta-feira. A entidade cobrou punição aos ativistas que levaram os animais e afirmou que o Royal faz pesquisas relevantes sobre medicamentos e produtos e segue as normas estabelecidas no país. Para a direção da FeSBE, só o obscurantismo explica a atitude dos invasores.

"Na segunda década do século XXI, não é mais possível que atitudes como essa, só explicáveis pelo obscurantismo que ainda domina grupos minoritários de nossa sociedade, sejam toleradas, em qualquer nível", diz o manifesto da FeSBE, distribuído nesta terça-feira pela diretoria aos cientistas. "Destruir um patrimônio desses ou impedir que a instituição continue a fazer essas pesquisas implica inclusive em desrespeito aos próprios animais."

Assim como a federação, o ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, defendeu as pesquisas do laboratório e afirmou que os ativistas agiram "fora da lei". "Ninguém deve se precipitar dessa forma. Tem de respeitar a lei em primeiro lugar", disse nesta quarta-feira. "Iniciativas marginais à lei é que não podem ser toleradas."

O ministro disse que o Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea) não registrou irregularidades na atuação do Royal. A federação também acrescentou que o instituto alvo da ação de ativistas segue padrões internacionais e realiza pesquisas "de elevada relevância no desenvolvimento de medicamentos e outros produtos". Raupp disse ser favorável a testes em animais "enquanto forem necessários".

"Se os especialistas da área acham que não é possível fazer de outro modo uma determinada pesquisa, desenvolver um novo medicamento contra o câncer, para cosméticos, para o que for, se for necessário sou favorável ao uso de animais. Não tenho nenhuma posição ideológica ou fundamentalista sobre esse assunto. A minha posição é objetiva em função dos interesses das pesquisas no País", disse o ministro.