O Globo
Com Agências Senado e Reuters
A bióloga Ana Paula Maciel foi presa em setembro com o grupo num ato contra a exploração de petróleo no Ártico
Renan enviará comissão à Rússia para negociar libertação de ativista brasileira
Dmitri Sharomov / AP
A bióloga brasileira Ana Paula Maciel
RIO e BRASÍLIA - A Rússia retirou as acusações de pirataria contra 30 pessoas envolvidas em um protesto do Greenpeace contra a exploração de petróleo no Ártico, as substituindo por acusações mais leves, informou a agência de notícias Itar-tass nesta quarta-feira, citando investigadores federais. No grupo, está a bióloga brasileira Ana Paula Maciel.
Segundo publicou a agência Reuters, o porta-voz do Comitê Investigativo, Vladimir Markin, disse que as acusações contra os ativistas que fizeram o protesto em uma plataforma de petróleo há pouco mais de um mês foram substituídas de pirataria, que tem pena máxima de 12 anos de prisão, para vandalismo, que tem pena menor. Os detidos, entre eles a brasileira, passarão a responder agora por “hooliganismo”, que caracteriza comportamento violento, uma punição considerada mais branda.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu, também nesta quarta-feira, criar uma comissão de parlamentares para enviar à Rússia, com o objetivo de interceder pela libertação da ativista brasileira Ana Paula Maciel, presa desde o dia 19 de setembro. Ele tomou a decisão durante encontro com deputados federais e um representante do Greenpeace no Brasil. O grupo pediu a Renan o apoio para um diálogo com o Parlamento russo para colaborar na libertação de Ana Paula, presa na cidade de Murmansk, a dois mil quilômetros de Moscou.
- Nossa preocupação é que ela está distante de Moscou e agora começa o rigoroso inverso russo - explicou o deputado Chico Alencar.
Por sua vez, o deputado Sarney Filho ressaltou a necessidade de se buscar um “caminho alternativo” ao que já vem sendo trilhado pelo Executivo.
- Temos que dialogar com os parlamentares russos - sugeriu Sarney Filho.
Renan Calheiros informou que na semana passada já tinha enviado uma correspondência à presidente do Conselho da Federação da Assembleia Federal da Rússia (equivalente ao Congresso Nacional brasileiro), Valentina Matvienko, cobrando uma solução positiva para o caso da brasileira Ana Paula Maciel.
Na semana passada, Ana Paula apareceu dentro de uma cela segurando um cartaz pedindo para voltar para casa. A apelação dos advogados do Greenpeace era para que a ativista possa responder o processo em liberdade. A Justiça russa havia negado o pedido de liberdade provisória, sob fiança, a 15 ativistas. No cartaz, escrito em inglês, a ativista exibia a frase:
- Eu amo a Rússia, mas me deixem voltar para casa.
No último dia 14, o ministério das Relações Exteriores encaminhou ao governo russo, a pedido do Greenpeace, uma solicitação formal para que Rosângela Maciel, mãe da bióloga, presa em 19 de setembro. Ana Paula teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça russa até 24 de novembro. Antes disso, por meio da sua conta no Twitter, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o Itamaraty intercederia formalmente a favor da ativista brasileira junto ao governo russo.
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também se manifestou e garantiu “apoio e respaldo” à família da ativista, que mora em Porto Alegre. Tarso recebeu a família de Ana Paula e o representante do Greenpeace para formalizar solidariedade.
- Se for necessário, se a família quiser algum acompanhamento numa viagem que faça, nós daremos também esse acompanhamento – disse governador na semana passada.
