quinta-feira, outubro 24, 2013

Os black bandidos

Sebastião Nery
Tribuna da Imprensa

João Nô, advogado baiano, foi da barra pesada. Tenente da Polícia Militar da Bahia, meteu-se muito jovem pelo sertão em nome da lei. E, no sertão, lei e cangaço disputavam palmo a palmo. Cada um fazendo justiça a seu modo. O tenente Nô terminou deputado e filósofo.

Em 45, João Nô foi candidato a prefeito de Santo Antonio da Glória, no serão da Bahia. Perdeu por alguns votos. “Gasolina”, cabra de Lampião, mandou chamá-lo ao esconderijo onde vivia com medo da polícia:

- Tenente, se o primeiro morrer o segundo toma posse?

- Não. Tem nova eleição.

- Então o primeiro não vai morrer.

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Lampião estava no sul do Piauí. Mandou buscar um médico de confiança para cuidar da perna doente. O médico cuidou e não cobrou nada. Só queria ser prefeito de sua cidade. Lampião chamou um cabra, mandou recado ao chefe político, coronel Rego. Na saída, ainda gritou:

- Cabra, se o coronel não quiser obedecer, diz a ele que Lampião já atravessou muito rio cheio, quanto mais um rego!

O médico foi prefeito.

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Morto Lampião, Ângelo Roque, o “Labareda”, cangaceiro, terceiro na hierarquia do bando, logo depois de Virgulino e Corisco, entregou-se às autoridades de Geremoabo, no sertão da Bahia. Foi a Júri. Tarcílo Vieira de Melo, o promotor, depois líder de Juscelino na Câmara Federal, acusou-o com agressividade. Oliveira Brito, juiz, depois ministro do governo João Goulart, chamou-o de “desordeiro”. Labareda” levantou-se do banco de réu:

- Desordeiro, não. Os senhores me respeitem. Não sou um desordeiro, sou um cangaceiro. Não fui pegado no mato. Cheguei aqui de armas na mão, e me entreguei, confiando na palavra das leis.

Ninguém mais o agrediu.

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“Labareda”, pequenininho e valente, não disse mais palavra. Quando acabou tudo, condenado, ele se queixou ao tenente e advogado João Nô, que o prendera nos sertões da Bahia:

- Tenente, perdi meu tempo no cangaço. Eu pensava que a pior coisa deste mundo era soldado de polícia. Passei a vida empiquetando (emboscando) soldado de polícia  Hoje, chego aqui preso, os soldados me tratam bem e  não disseram uma palavra contra mim. Mas aquele promotor falador e aquele juiz magrelo me disseram tudo quanto foi desaforo. Se eu soubesse, tinha passado meu cangaço empiquetando promotor e juiz.

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João Nô perguntou a “Juriti”:

- Morreu Lampião, acabou o cangaço. Só ele tinha coragem?

- Tenente, se eu cortar a cabeça do senhor o corpo anda?

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LULA
Cangaceiro era desordeiro, era criminoso, mas tinha caráter. Lutava com a cara de fora. Jogava a vida nas estradas.Não viviam  escondidos atrás de mascaras, como esses “Black Blocs” nazifascistas, andróginos filhinhos de papai, sem ideologia e sem projeto, cuja histeria é sair quebrando tudo, janelas  e vitrines comerciais, sinais de transito e placas de rua, prédios públicos e privados, seculares monumentos nacionais, Palácios, sedes de Governo, Câmaras e Assembleias. Lula afinal tem razão:

- “ Nunca usei mascara porque nunca tive vergonha do que fiz.  Quando não tem a política, vem o fascismo, é o nazismo, é a ditadura”.

OAB E SEPE
Causa espanto, vergonha e asco ver entidades que têm deveres com a Nação, como  OAB, SEPE (Sindicato de Professores), deputado e senador acoitando, tentando justificar  esses covardes bandidinhos de capa preta.

Em alguns países vivi, em outros  estive, onde fascismo e nazismo, brutais ditaduras,começaram. E começaram sempre assim: blocos de ataque escondendo-se atrás de roupas pretas,bonés e mascaras pretas,calças e camisas pretas ou marrons.E cabeças rolando nas avenidas ensanguentadas

Levianamente as elites costumam levar suas irresponsabilidades  e malditos interesses até o extremo. Um dia acordam e não dá mais tempo.

Seus filhos e netos levantarão muros e museus para chorarem o passado.