terça-feira, outubro 08, 2013

Economia passou a depender mais do sucesso no petróleo

Editorial
O Globo

Abertura do mercado brasileiro possibilitou a entrada de novos atores e deu mais transparência ao setor, beneficiando especialmente a agora sexagenária Petrobras

Agora sexagenária, a Petrobras promete dobrar sua produção de óleo e gás nos próximos cinco anos, realizando nesse curto período o equivalente ao que foi feito em 60 anos de sua história.

São dados relativos, evidentemente, pois a descoberta dos reservatórios no pré-sal não teria sido possível sem a experiência e o conhecimento acumulados na exploração e produção no pós-sal da Bacia de Campos, por exemplo.

É inegável que a Petrobras está na vanguarda tecnológica da indústria do petróleo no que se refere a águas ultraprofundas. Os campos que estão sendo desenvolvidos no pré-sal da Bacia de Santos se situam entre 200 e 300 quilômetros da costa, e em lâmina d’água de mais de dois mil metros de profundidade. Alguns desses reservatórios encontram-se a mais de cinco mil metros abaixo do fundo mar. É como se um fosse um Monte Everest de cabeça para baixo. As sondas e os tubos que conduzem materiais, fluidos e os hidrocarbonetos (óleo e gás) enfrentam grandes variações de temperatura e pressão, e ambientes corrosivos, como a camada gelatinosa de dois mil metros de sal.

O desenvolvimento dessa tecnologia atraiu para o Brasil (com concentração significativa no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vizinho ao Cenpes da Petrobras, na Ilha do Fundão) novos centros de pequisa de prestadores de serviços e fabricantes de equipamentos. Assim como as refinarias construídas nos anos 1950 e 1960 impulsionaram a nascente indústria de bens capital no país, espera-se que esse novo ciclo tenha forte impacto positivo sobre toda a cadeia produtiva, com benefícios para diversos outros segmentos que dependem da evolução de materiais e equipamentos.

A interpretação desses resultados sempre dá margem para discussão sobre a abertura do mercado brasileiro de petróleo. Por incrível que pareça, ainda há quem defenda um modelo de monopólio estatal nas mãos da Petrobras. Mas, na prática, o que se constatou foi uma aceleração dos investimentos a partir do momento em que novos atores puderam entrar no setor. Com parcerias e associações antes não permitidas, a Petrobras abriu mais frentes e diversificou seus riscos. Ganhou mais agilidade. E até mesmo mais transparência. Hoje é possível identificar claramente o impacto negativo das interferências político-partidárias na condução de seus negócios. Assim, em decorrência da abertura e da transparência, do seio da sociedade e dos mercados partem pressões em sentido contrário a essas interferências, o que é um aliado importante para preservar a Petrobras como empresa saudável e competitiva.

A indústria do petróleo terá participação crescente na economia brasileira nos próximos anos. O Rio de Janeiro é a capital do petróleo. Do sucesso da Petrobras, e da indústria do petróleo como um todo, todos dependeremos agora em razoável medida.