terça-feira, novembro 26, 2013

A fuga de Pizzolato já estava prevista há mais de um ano.

Adelson Elias Vasconcellos

 Toda a ficção, romanceada ou exagerada, no fundo, nasce de fatos reais. O dia a dia é pródigo em exibir facetas que, regra geral, a grande maioria sequer imaginaria ser possível de acontecer.

Os fatos que estão levando para cadeia altos  cardeais petistas e a trupe de delinquentes que formaram a quadrilha que pretendia golpear a democracia brasileira, subjugando as instituições republicanas ao partido hegemônico, são muito reais. O grito e o esperneio dos agora apenados foram comprovados, vasculhados em sua origem e desdobramentos. Nada é ficcional, nada é imaginativo. Se algum golpe foi pretendido, foi de se colocar em prática  um projeto de poder que resultaria num processo semelhante ao que ocorre  na Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia. 

Foi tamanha a desfaçatez e absurdamente indecentes  as ações engendradas pelos diferentes núcleos da quadrilha, que o Brasil, reino da impunidade eterna, através do seu Judiciário, até então tão dolente e compassivo com as malversações e indignidades da classe política, não se conteve e bradou um “Agora, BASTA”.  A qualquer indivíduo, não coligado à politicalha, saltou aos olhos o comportamento nefasto e parcial de um ministro revisor do processo, que de todas as formas e artimanhas a seu alcance, tentou melar o julgamento,  apostando numa desejada prescrição dos crimes praticados.

Muitos  agora gritam e uivam desesperados. Acusam golpes, é ditadura, bradam e se autodenominam presos políticos, quando não passam é de políticos presos.  Contudo, nenhum deles poderá apelar às suas consciências para bradarem “somos inocentes”. Sabem bem o que fizeram e, mais do que isso, o que e onde pretendiam chegar. O Brasil está mais limpo moralmente, mesmo que a distância que nos separa de um mundo civilizado e justo seja imensa. 

Dirceu esperneia que recorrerá aos tribunais internacionais. Não poderá fazê-lo, e mesmo que tente, será apenas uma forma diversionista de tentar se justificar.   Aliás, Dirceu e sua gangue jamais levantaram a voz para condenar os presos políticos de Cuba. E não o fizeram porque se espelhavam naquele regime repressivo para instaurar no país igual modelo.

Quanto ao agora fugitivo da Justiça, Henrique Pizzolato, ele já estava armando sua fuga desde outubro de 2012. O então procurador geral, Roberto Gurgel,  à época, solicitara ao STF que apreendesse  os passaportes dos mensaleiros para evitar que fugissem  do país. E sabem por que o fez? 

Notícia da Veja online, com informações da Agência Estado,  informava:  “...Para evitar fugas, o procurador-geral pediu a apreensão de passaportes. Segundo pessoas próximas a ele, Gurgel começou a pensar na iniciativa ao saber, no mês passado, que um dos réus do processo, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato estava na Itália desde julho, mesmo já tendo sido condenado pelo STF. Mas Pizzolato retornou ao Brasil às vésperas do primeiro turno da eleição municipal.

Mesmo com o retorno de Pizzolato, Gurgel quer se precaver para evitar episódios como a fuga de um réu de outro processo, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que é italiano e fugiu para sua terra natal para escapar do risco de prisão após ter sido processado por crime contra o sistema financeiro. Cacciola só foi extraditado para o Brasil depois de ter viajado para Mônaco...

O trecho acima foi publicado no blog em 12 de outubro de 2012. (Íntegra aqui

Já então, Pizzolato  armava seu plano de fuga. O que se questiona é: se os passaportes foram entregues, incluindo o do ex-diretor do Banco do Brasil, de que forma este senhor saiu do país? Mais: se na época da entrega dos passaportes, os mensaleiros já estavam condenados, por que a Polícia Federal não os vigiou se precavendo, assim, que algum deles deixasse o país de maneira clandestina? E tal vigilância deveria ter se intensificado muito mais, justamente a partir da estada de Pizzolato na Itália, antes até do recolhimento dos passaportes. E, tendo ele dupla cidadania, brasileira e italiana, o agora fugitivo da Justiça jamais será extraditado. Há um histórico recente em que a Itália solicitou a extradição de um terrorista e assassino, Cesare Battisti, e o senhor Lula resolveu, contrariando acordo internacional, mantê-lo no Brasil.  Não  vá se esperar que a Itália agora faça aquilo que o governo brasileiro se negou em fazer em relação à própria Itália.   
Sabendo-se que o partido no poder é o mesmo do Mensalão, não é difícil entender como Pizzolato acabou fugindo, não é mesmo?

Este é o Brasil comandado pelo crime organizado no poder. Tomara que o STF tenha aberto um novo caminho a ser copiado por todo o Judiciário. Muito embora, conforme já se verificou, nem o STF é mais aquele que condenou os mensaleiros. Foi devidamente partidarizado e aparelhado para proteger os queridos do poder, seus protegidos, seus ungidos à impunidade eterna. 

Razão pela qual precisamos esperar algum tempo para sabermos se realmente o epílogo do qual o Mensalão se aproxima, será realidade ou ficção. É bom lembrar que existem embargos infringentes, e eles podem mudar o curso dos acontecimentos. Gente no STF disposta a tanto é que não falta. Provavelmente já tenham formado a maioria necessária para mais este golpe institucional. Hora de cruzar os dedos.