terça-feira, novembro 26, 2013

Déficit habitacional é maior na baixa renda, diz Ipea

Exame.com
Ricardo Della Coletta, Estadão Conteúdo

Com 7 milhões de domicílios a mais no País, o déficit habitacional brasileiro registrou queda entre 2007 e 2012

Tânia Rêgo/ABr 
Crianças brincam em conjunto habitacional 
do Programa "Minha Casa, Minha Vida", no Rio de Janeiro

Brasília - Com 7 milhões de domicílios a mais no País, o déficit habitacional brasileiro registrou queda entre 2007 e 2012. De acordo com um estudo divulgado nesta segunda-feira, 25, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em cinco anos o indicador passou de 5,59 milhões de domicílios em déficit para 5,24 milhões uma redução de 350 mil unidades.

A participação do déficit habitacional no período passou de 10% do total de domicílios para 8,53%. Apesar disso, a faixa de renda que menos se beneficiou desse movimento foi a que ganha até três salários mínimos, justamente o público-alvo do principal programa de habitação do governo federal, o Minha Casa Minha Vida.

Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o levantamento do Ipea mostrou que o número de domicílios considerados em déficit com renda de até três salários mínimos caiu, em números absolutos, 2,4% - de 3,95 milhões de unidades para cerca de 3,85 milhões.

A variação é bem mais modesta do que a observada em outros segmentos - quase 17% para os que ganham de três e cinco salários mínimos e de 32,5% para as rendas domiciliares superiores a 10 salários mínimos. Assim, ao contrário do que aconteceu com todas as demais faixas de renda, a participação dos domicílios mais pobres no total do déficit foi a única que cresceu no período, passando de 70,7% em 2007 para 73,6%, cinco anos depois.

Nos cinco anos abarcados pelo estudo, o Brasil passou de 55,9 milhões de domicílios para 62,9 milhões.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Interessante este estudo. Com,o foi feito pelo IPEA, órgão intestinal do governo federal, não vamos levantar dúvidas sobre as conclusões a que chegou. Assim, ele nos traz uma informação que mereceria maior reflexão, sobretudo pela imprensa não amestrada, e pela oposição logicamente (se é que ela ainda sobrevive). Vejamos.

Segundo o IPEA, em cinco anos, de 2007 a  2012, o déficit habitacional reduziu-se em 350 mil unidades. Já pelo “balanço” do programa Minha Casa, Minha Vida, de 2011 para cá, o governo Dilma jura, por todos os santos, ter entregue 2 milhões de novas unidades. Ora, se tal fosse verdade, não seria de se esperar uma redução ainda maior no déficit habitacional do que aquele apontado pelo IPEA? Convenhamos que a diferença entre 350 mil e 2 milhões é vasta demais para ser desprezada.  

Assim, ou o estudo do IPEA incorre em erro, ou o “balanço” do programa da senhora Rousseff está superfaturando sua estatística. 

Além disso, é ainda mais estranho que, sendo um programa que procurava beneficiar em maior grau as pessoas de baixa renda, foi exatamente nesta faixa de renda que ocorreu a menor redução no déficit habitacional.  Alguém está devendo explicações neste caso.