terça-feira, novembro 26, 2013

Máfia do ISS: empresas procuravam corruptos, diz auditor

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Em entrevista ao 'Fantástico', fiscal acusado desconversou sobre participação de políticos no esquema e disse que gastou dinheiro com garotas de programa

Marcos Bizzotto/Futura Press 
Acusados do esquema de desvio do imposto sobre serviços da Prefeitura de São Paulo,
 durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD), são soltos na madrugada do sábado 

O auditor fiscal Luis Alexandre Cardoso Magalhães, primeiro envolvido no caso da Máfia do Imposto sobre serviços (ISS) a aceitar a delação premiada, afirmou em entrevista aoFantástico, da Rede Globo, exibida na noite de domingo, que as construtoras envolvidas no escândalo eram as responsáveis por procurar os auditores acusados de integrar a quadrilha.

"Quem queria participar, procurava a gente. A construção civil sabia quem ia ser o chefe do setor antes mesmo de ser nomeado", afirmou Magalhães, descartando a teoria de que as construtoras eram "vítimas" de um sistema organizado pelos auditores. Além de Magalhães, Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral, Eduardo Horle Barcellos e Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como o chefe da quadrilha, também têm seus nomes envolvidos no escândalo.

"Tinha obra que devia muito, então eles já sabiam como funcionava e sugeriam participar daquela situação (esquema)", complementou. Muitas vezes, segundo o auditor, as construtoras pagavam apenas a metade do que deviam aos cofres públicos. E, desse montante, apenas uma parte era recolhida como imposto. O valor restante, caracterizado como propina, era dividido em quatro partes. Com essa divisão, cada auditor chegava a receber entre 30 000 e 70 000 reais por semana. O esquema de corrupção pode ter provocado um rombo de 500 milhões de reais aos cofres públicos, em valor que teria deixado de ser arrecadado entre 2007 e 2012.

Políticos - 
Perguntado sobre o envolvimento de políticos no esquema, Magalhães desconversou. "Minha participação era até o subsecretário. Não tinha contato no dia a dia com o subsecretário para saber com quem ele se relacionava", disse Magalhães em referência a Ronilson Rodrigues, ex-subsecretário da receita municipal.

Na entrevista, o auditor contou que gastava o dinheiro das propinas com viagens e garotas de programa. "Eu comecei a ficar compulsivo por sexo", revelou. Magalhães também comprou uma lancha avaliada em 500 mil reais. Quando perguntado se devolveria a quantia recebida no esquema, caso isso fosse possível, o auditor respondeu: "Não teria como. Só se eu bater na porta de um monte de moça para tentar devolver."