quarta-feira, janeiro 29, 2014

Gasto do brasileiro no exterior soma US$ 25,3 bi e bate novo recorde em 2013

O Estado de São Paulo

Aumento dessa despesa ocorreu apesar da valorização do dólar, que subiu 15,21% ante o real no ano passado

BRASÍLIA - O gasto dos brasileiros no exterior cresceu 14% e somou US$ 25,3 bilhões em 2013, um novo recorde, segundo dados do Banco Central. Em 2012, essa despesa havia sido de US$ 22,2 bilhões. O aumento desse gasto ocorreu apesar do alta do dólar, que encarece os gastos em viagens internacionais. A moeda americana encerrou o ano passado com uma valorização de 15,21%, a maior dos últimos cinco anos.

Só em dezembro, o brasileiro desembolsou US$ 2,216 bilhões lá fora. Com isso, a conta de viagens internacionais - que é a diferença entre o que os brasileiros gastam lá fora e os estrangeiros deixam aqui - registrou um déficit de US$ 1,638 bilhão em dezembro. No ano, houve um saldo negativo de US$ 18,632 bilhões, novo recorde. Em 2012, o déficit foi de US$ 1,462 bilhão em dezembro e de US$ 15,588 bilhões no ano.

Copa. 
O chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, afirmou que o déficit com viagens internacionais crescerá menos em 2014 por conta do aumento de receitas esperado com a Copa do Mundo de futebol. A previsão da instituição é ele que deve passar de US$ 18,6 bilhões em 2013 para US$ 19 bilhões este ano.

"A taxa de crescimento em 2014 deverá ser menor que nos anos anteriores. Para isso, entre outros fatores, deverá contribuir o maior ingresso no País de turistas estrangeiros", afirmou. "A parte de despesas tem mantido trajetória ascendente, vinculada aos ganhos de renda auferidos no País. Nas receitas, projetamos crescimento, entre outras razões, por conta da Copa do Mundo. A taxa de crescimento deverá cair de 17% para algo como 2%."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Já faz algum tempo que alertamos para esta questão. Os brasileiros estão gastando fortunas lá fora, gerando emprego e renda no exterior, não porque se tornaram classe média. Os preços no Brasil é que se tornaram tão proibitivos que, mesmo pagando a viagem e o imposto de importação, qualquer quinquilharias comprada lá fora acaba saindo mais em conta do que comprado aqui dentro. 

Nos tornamos caros até para os padrões de renda dos países mais ricos.

Mas não será criando artifícios como aumento do IOF que se irá inverter este comportamento. É criando aqui dentro as condições para que os nossos preços internos fiquem mais em conta. E aí se chega ao famigerado Custo Brasil do qual o governo petista parece não ter se dado conta. 

Talvez esta facilidade de comprar no exterior, agrade a tal classe média, mas é uma tragédia para a economia brasileira. E fica claro, também, que nosso grande entrave chama-se oferta, e não demanda, que é o caminho que o governo petista vem perseguindo desde Lula.  

Mesmo com dólar alto, com IOF, imposto de importação, o volume de compras no exterior só se reduzirá diante de um mercado incentivado a produzir. E não apenas automóveis e eletrodomésticos. Isto é, precisamos urgentemente de uma política industrial consistente e ela passa pelas reformas estruturantes que os petistas teimam em não querer levar adiante.