Adelson Elias Vasconcellos
Há dois assuntos que merecem ser destacados.Mas mesmo que haja um mínimo de interligação, merecem ser analisados em separado. O primeiro é sobre o discurso de Dilma no Fórum Econômico Mundial, que se realizou em Davos. E o segundo foi a fala prá lá de estúpida de Gilberto Carvalho, nada menos que o Secretário da Presidência da República sobre as manifestações de junho.
Os dois, como é de praxe entre os comensais petistas, parecem misturar ficção e realidade. Na fala espelha-se um mundo surreal, imaginativo, que parece encantar os mais desavisados, mas que, visto sob o prisma do mundo real, não resistem em pé por mais de 1 minuto.
Começo pelo discurso de Dilma em Davos. Sobre o senhor Gilberto, vejam o post anterior.
A senhora Rousseff parece ignorar que passou três anos esnobando o fórum. E suas lembranças parecem não se tocar que, em seu mandato o que nunca faltou foi excesso de intervencionismo estatal e mandracaria na economia.
Se há descrédito do país junto aos investidores isto se deve não às crises da Comunidade Europeia ou os Estados Unidos, ou ainda, como afirmou Guido Mantega, aos países ricos e suas políticas monetárias.. Se deve à falta de compromisso com a seriedade coma política fiscal foi conduzida.
A China, por exemplo, já há algum tempo fala em reformas. E a principal será a de aumentar a produtividade, visando atender de forma mais prioritária seu mercado interno. Por aqui, nossas autoridades jamais se referiram à produtividade. Sempre se priorizou facilitar o crédito para aumentar o consumo interno. Com uma industria fraca, em desaceleração, só pode dar no que deu: aumento exponencial da importação e, em consequência, redução drástica dos superávits comerciais.
Também do lado fiscal, este mesmo governo jamais se preocupou em fazer sua lição de casa. Os anúncios de cortes no orçamento, pelo lado das despesas, jamais de ser meras intenções que jamais se concretizaram. Desde 2003, é público notório o aumento gigantesco das despesas correntes, aumento muitas vezes acima da inflação, do crescimento do PIB e da própria arrecadação. Ora, tal desequilíbrio só pode provocar aumento da dívida e, em certas doses, aumento de impostos.
O governo da senhora Rousseff pode até continuar a peregrinação dos discursos que teimam em culpar os outros pelos problemas criados pela incompetência e improvisação de seu governo.
Sempre foi visível a má vontade, preconceito e desdém com que este governo tratou o capital. Mesmo nas concessões rodoviárias, foram necessários algumas frustrações com a falta de interessados em alguns leilões, para que o governo se convencesse de que, num mundo capitalista, pretender tabelar lucros da atividade empresarial é afugentar este capital dos planos de governo. No caso dos aeroportos, o governo ainda teima em querer empurrar goela abaixo dos investidores uma INFRAERO ineficiente ao extremo, com sócia, do mesmo modo como fez no leilão do pré-sal, em 2013, do Campo de Libra que, dos 40 interessados iniciais, restaram apenas não mais do que onze.
Agora, em véspera de eleição, dona Roussseff vai a Davos vender uma vez mais a fantasia do mundo de oportunidades que é o Brasil. De fato, o que não faltam são oportunidades para investimento. Neste ponto, o país é quiçá um verdadeiro Eldorado. Contudo, cadê as condições para que tais oportunidades para investimentos? Em todos os rankings que medem abertura econômica, competitividade, ambiente de negócios o país sempre aparece na rabeira. Como viabilizar negócios num país em que uma mera licença ambiental demanda dois, três anos ou mais? Como esperar que os investidores se sintam compelidos a se voltarem para o Brasil, quando se precisa suportar uma carga tributária escorchante, uma burocracia asfixiante e uma burocracia infernal? Em que colocação de eficiência se colocam os portos brasileiros? E como pensar em aumentar produtividade num país em que mais de um terço de seus estudantes universitários são semianalfabetos?
Nada destes obstáculos é fruto dos desequilíbrios do mundo rico. Todos poderiam muito bem ser tratados internamente. Mas cadê a prioridade? Cadê o real interesse público em alavancar um projeto de desenvolvimento devotado ao país, e não apenas na manutenção do poder?
É precisamente disto que se trata: prioridades. E, neste quesito, o que o governo tem a oferecer para que as infinitas oportunidades de investimentos que o país oferece possam se realizar?
Como disse um investidor estrangeiro ao final do discurso de dona Dilma: as palavras são lindas, o discurso foi bem posto, mas precisamos é de AÇÕES.
Vem aí a campanha eleitoral e, feito votos de final de ano, mais uma vez vão se repetir as mesmas promessas da campanha passada, promessas que ficaram pelo caminho.
Fossem os eleitores um pouco mais esclarecidos e provavelmente não entregariam a Dilma Rousseff um novo mandato para não se cumprir um punhado de promessas que não passaram e não passam de engana bobo. Em quatro anos, Dilma pôs em risco uma estabilidade econômica construída ao longo de 15 anos. Não um único indicador econômico que se apresente como positivo. Todos estão flagrantemente deteriorados, negativos ao extremo.
A senhora acha que suas palavras conseguirão mascarar estes dados. Sua fala de compromisso com a inflação, por exemplo, não passa de pura balela. Em seus três anos, a inflação nem perto ficou da meta e vai fechar seu primeiro mandato com a inflação mais próxima do teto do que do centro da meta. Nosso astronômico déficit em conta corrente é o maior desde 1947. Nunca as contas nacionais estiveram tão fragmentadas como agora. E acha a senhora Rousseff que seu discurso marqueteiro conseguirá esconder tal realidade? Uma ova! Investidor não é bobo, tem aversão a risco, e só se aventura quando as condições propícias lhe são dadas. E o governo Dilma está longe de oferecer segurança a quem quer que seja.
Há outra questão a ser considerada: a tensão econômica que vivem Argentina e Venezuela, não por acaso, dois gigantes do Mercosul, que seguirem fielmente o receituário do tal socialismo do século 21. E que o Brasil não pense que nada lhe vai respingar. São dois mercados estratégicos do ponto de vista comercial. E assim o são por escolhas nossas que insistimos em dar vida a um bloco comercial sem eira nem beira. Desprezamos o restante da comunidade internacional, olhamos com descaso para os mercados dos “países ricos” e até dos emergentes. Nos tornamos dependentes em excesso de um bloco comercial falido, onde, a rigor, só o Brasil consegue por a cabeça para fora.
Dilma tem pressa, corre agora atrás daqueles para quem deu as costas durantes três anos. Durante este tempo, dormiu e acordou abraçada à ideia estúpida do Estado forte, investindo em seu agigantamento, e cujo peso esmaga a iniciativa privada.
Credibilidade perde-se rapidamente. Reconquistá-la não será tarefa fácil e não como fruto de poucos discursos fáceis e vazios. Precisaremos fazer o que nos cabe, levar adiante reformas que o governo Dilma teima em ignorar e que não indispensáveis para uma vida econômica saudável. Reduzir o tamanho desnecessário do Estado, promover as reformas da previdência, trabalhista, tributária e política, reduzir a sua menor expressão capaz de sustentar um Estado eficiente, as despesas da máquina pública. O que não faltam são muitas gorduras, bastante adiposas, gastos inúteis, montanhas de desperdício, ostentação, luxúria, torração pura e simples de dinheiro público.
Do mesmo modo, os marcos regulatórios do seu plano de concessões deverão ser reexaminados, para deles se expurgar as questões relevantes que tanto afligem os investidores. Além, é claro, de seu partido parar com a besteira de tentar separar privatização de concessão. Tudo, no fundo, é privatização. Esta besteira ideológica só alimenta mais obscurantismo. E que tal parar de querer tabelar o lucro dos empresários?
Até a eleição de 2014, dá para se fazer muita coisa em favor de uma correção de rumos. Para tanto, é preciso ter a coragem de uma estadista, coisa que falta à Dilma Rousseff, muito embora ela ainda confunda grosseria com coragem. Porém, não acredito que a presidente vá ter tamanho desprendimento. É mais fácil repetir à exaustão o mesmo discurso vazio que proferiu em Davos, de hoje até outubro. E achar que todo mundo é cego o bastante para ser enganado com papo furado. Esta história de que o governo tem compromisso com a austeridade fiscal e com meta de inflação, na prática, como se observa há três anos, não passa de discurso. Afinal, papel aceita tudo, até demagogia ordinária e barata.
Quem acompanha o blog, sabe das muitas advertências feitas para as oportunidades de investimento que estávamos desperdiçando. Com as políticas monetárias tanto da Coimunidade Europeia quanto norte-americana, muitos bilhões viajaram o mundo a procura de oportunidades. O Brasil poderia ter sido o grande beneficiado. Contudo, o preconceito contra o capital privado sempre falou mais alto, e de certo modo, ainda fala. Não se observou uma iniciativa, por mínima que fosse, para atrair os muitos bilhões de dólares ofertados pelos bancos centrais dos países ricos. O que se lia e se ouvia eram apenas queixumes em relação ao que o governo da senhora Rousseff apelidou de “tsunami monetário”. Usou-se a política monetária dos países em crise como um escudo para mascarar a ineficiência, a falta de projetos, a improvisação constante, a falta de um norte minimamente responsável e focado no desenvolvimento do país e na resolução de nossos problemas e carências, que são muitas..
Agora, bancando caixeiro-viajante e de olhos postos nas urnas de outubro, Dona Rousseff vai à cata daqueles que ela ignorou este tempo todo. Estes, cansados de promessas vazias e discursos fáceis, apenas lhe cobram uma coisa: AÇÃO. Neste sentido, é de se perguntar: o que temos a oferecer?
Dilma pode até agradar estes esquerdistas estereotipados, verdadeiros papagaios de pirata que recitam uma cantilena melancólica e caquética. O que impressiona não é ela falar as tolices nas quais acredita. O que incomoda é que tem muitos que ainda dão fé e festejam o decantado paraíso que, comparado ao inferno, este ainda é mais honesto, pelo menos os chifres estão bem a mostra. Já o outro lado...
O PT destruiu o etanol brasileiro
Se o leitor não leu, não perca a oportunidade de ler e refletir sobre o excelente artigo do Xico Graziano, publicado no Estadão, “ETANOL – BECO SEM SAÍDA”, e que reproduzimos no início desta edição.
De forma sintética, Graziano apresenta a forma como o PT destruiu o etanol brasileiro, da mesma forma como ele vem destruindo a indústria nacional e corroendo a estabilidade econômica tão duramente conquistada. O país precisando de investimentos aqui dentro, e o PT enviando bilhões de reais para ditaduras na África e Cuba. Fica claro qual a prioridade desta gente.
Hoje, fruto de uma política suicida, a Petrobrás está mal das pernas e o Brasil se tornou grande IMPORTADOR do etanol americano. Aliás, mais caro e mais poluente.
Aliás, o PT, quando esteve na oposição, conscientemente, acabou com a produção de cacau na Bahia. Isto aconteceu na década de 80, quando seus militantes espalharam nas plantações uma praga conhecida como “vassoura de bruxa”. Pesquisem na internet para conhecerem melhor e em detalhes esta trama criminosa.
Esta gente não é apenas farsante e incompetente. É criminosa, também. Não vacilam em atentar contra o país para assaltarem o poder. E a história relaciona dezenas de exemplos do crime organizado para o poder que eles comandam. O resultado foi que o Brasil deixou de ser o maior produtor de cacau do mundo, e viu o pequeno Equador lhe passar à frente.