segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Na casa de Noca, todo mundo mente e ninguém se entende

Jorge Oliveira
Diário do Poder

Rio – A discussão não é mais a fabulosa quantia que a Dilma e seus assessores gastaram com o cartão corporativo no bacalhau e nos bons vinhos em Lisboa, numa escala que se sabe agora prevista desde que a presidente saiu do Brasil. Discute-se no momento o festival de mentiras do governo. Todo mundo mente: a presidente, ministros, a tripulação do Boeing e toda turma que ocupou os mais de 40 apartamentos nos luxuosos e caros hotéis de Lisboa. Para abafar a mentira, a presidente apressou-se em anunciar a reforma ministerial, mas foi flagrada em outra mentira: a de que manteria no cargo a jornalista Helena Chagas, secretária da Comunicação Social. Como se vê, mente-se nesse governo por prazer, para fazer tramas, e para esconder as artimanhas que se fazem com o dinheiro do contribuinte.

É público e notório que a presidente não pagou com o dinheiro do próprio bolso a conta do hotel (R$ 27 mil reais) e o bacalhau que costuma comer em Lisboa. E aqui vai um desafio: presidente, apresente os comprovantes de que as suas despesas e de seus assessores não foram pagas com os cartões corporativos. Se não comprovado, trata-se de mais uma mentira desse governo que se especializa em enganar o contribuinte. A mentira, palavra de ordem do Planalto, vem desde a época em que Valdomiro Diniz foi flagrado na antessala de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, achacando o bicheiro Cachoeira, que depois seria condenado a mais de vinte anos de prisão. Mesmo vendo as imagens, Diniz negou o crime até o final.

De lá pra cá, o governo não parou mais de mentir. A mais escabrosa delas foi negar o mensalão, mesmo desafiado pelo ex-deputado Roberto Jeferson, que peitou José Dirceu e disse a pleno pulmões: “Sai daí, Zé, você vai prejudicar o presidente. Não mente”.  A mais recente das mentiras é do Alexandre Padilha, da Saúde, que na maior cara de pau mandou cancelar o contrato de R$ 199,8 mil que mantinha no ministério com uma ONG fundada por seu pai Anivaldo Padilha, o que levou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, a considerar o ato de “imoral e suspeito”. O caso ficaria na moita não fosse matéria da Folha de S. Paulo denunciando o esquema.

Não se pode confiar em um governo que espalha mentira como praga. A própria Dilma já foi flagrada em outra mentira antes de chegar a presidência. Matinha na rede social a informação da formação de mestrado e doutorado em economia pela Unicamp. O diretor de registro da universidade, Antonio Faggiani foi categórico: “A Dilma nunca se matriculou em curso de mestrado na Unicamp”. É assim, mentido, que o PT governa o Brasil. Na demissão da jornalista Helena Chagas todos mentiram. Desde que o Lula se reuniu com a Dilma a cabeça dela já tinha rolado. Só ela,  obrigada também a mentir sobre a viagem à Lisboa, não sabia.

A mentira contaminou o baixo e o alto escalão do governo. O mais verdadeiro dos mentirosos é o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o mágico da economia. Mentiu de pés juntos ao negar ser amigo do ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, indicado para o cargo por ele, suspeito de receber 25 milhões de dólares em propinas de fornecedores da empresa. Mente também nas previsões econômicas e mentiu ao dizer desconhecer que seus assessores recebiam suborno de uma empresa para liberar pagamentos de um contrato com o seu ministério.

A mentira virou um aliado fiel e indispensável desse governo para escapar dos delitos? A história mostra que não se tolera mentiras de governantes. Nixon e Collor foram despejados porque mentiram. Não resistiram a pressão da sociedade que cobrou insistentemente a verdade e deixaram o poder escorraçados.

Não sustentaram a mentira por muito tempo