Adelson Elias Vasconcellos
Semana passada, o Estadão trouxe uma notícia que, aparentemente, encheu o peito varonil da senhora presidente de pleno orgulho. O texto tratava dos comentários feitos pela Senhora Rousseff no seu twitter acerca do anúncio feito pelo IBGE acerca do desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas.
Segundo o instituto, seria o menor da história. E aí a senhora dona presidente passou a fazer comparações ridículas e inapropriadas com o ano zero da era petista no poder. Tivesse um pingo de respeito ao próprio país que governa, sua comparação se daria com o ano zero do período de FHC no poder, e não com o último. Até porque, a caminho de completar 12 anos no governo, não tivesse acontecido alguma melhoria na situação do mercado de trabalho, os petistas estariam fora do poder. Tiveram condições e recursos suficientes para, pelo menos no campo do emprego, apresentarem algum resultado.
O que talvez a senhora dona presidente não fez, e certamente por ser petista não o fará, é tentar saber porque houve geração de emprego aos borbotões. Esqueceu-se de que a estabilidade econômica, obtida antes e apesar do PT, é que permitiu que o país atraísse investimentos produtivos, além das empresas já instaladas também pudessem ampliar seus negócios, gerando mais empregos.
Outro fato, por certo que será ignorado, é que com o controle da inflação e o início da trajetória de aumentos reais do salário mínimos, além das políticas de distribuição de renda via programas sociais, também iniciados antes e apesar do PT, aumentaram a capacidade de consumo de grande parte da população brasileira. Portanto, pode-se afirmar com segurança que os governos petistas nada mais são do que privilegiados herdeiros das políticas implementadas pelos governos de FHC. Simples assim? Sim, e os fatos estão todos aí e não podem ser nem desmentidos tampouco contestados, muito embora os discursos e a propaganda petistas invistam pesadamente para esconder o Brasil que receberam como herança.
Dito isto, vejamos por que não há motivos para comemoração e sim para preocupação com os números sobre emprego/desemprego no Brasil.
Começo pelo aumento da população. É natural que mais pessoas estivessem trabalhando, e houvesse maior geração de empregos. Mesmo que o PT não estivesse no poder, isto aconteceria de forma natural. A rigor, examinados os números, a melhoria aconteceu, mas não foi tão significativa como poderia ser se os petistas fossem um pouquinho menos incompetentes.
Mas creio que as chaves para a preocupação teriam que ser outros números. Num país com pouco mais de 90 milhões de pessoas em idade economicamente ativa, sabermos que 61 milhões não trabalham nem procuram emprego, deveria servir como enorme alerta. Além disso, também é sabido que cerca de 50% dos jovens na faixa de 18 a 24 anos, nem estudam nem trabalham. A famosa geração nem – nem.
Este é o real quadro sobre o qual a senhora Rousseff deveria se debruçar e buscar soluções. Menos de um quarto da população economicamente ativa realmente está ocupada. É um número que logo irá criar um problema que o país vem adiando sua discussão, mas que no ritmo atual acabará por entravar a economia brasileira e a capacidade do poder público para investir. Trata-se do gigantesco déficit da previdência.
Assim, fica claro que o país tem muito mais razões para se preocupar com o seu mercado de trabalho do que para as comemorações deflagradas pela senhora Rousseff na rede social. Mas, claro, sendo petista, valores como seriedade e responsabilidade não fazem parte de seu cardápio. Porém, aquela ala da sociedade brasileira que é comprometida com o seu futuro, deveria refletir sobre as perspectivas futuras do país. Porque os números estão aí, exigindo de todos que se aceite o desafio de elevar, significativamente e num prazo relativamente curto, o percentual de pessoas em idade economicamente ativa tornarem-se trabalhadores ocupados. Se esta fosse a nossa realidade, isto é, se estivesse ocorrendo relativo aumento deste percentual, então, sim, haveria razões para entusiasmo. Mas estamos longe disto. Resta saber quanto tempo mais desperdiçaremos sem nos voltarmos a enfrentar nossos reais desafios e dificuldades.
E que se registre: o país está importando mão de obra com pouca qualificação, por falta de trabalhadores para ocuparem as vagas existentes. Sabendo-se que ²/³ da população brasileira de 200 milhões tem baixa escolaridade e, em consequência, pouca ou nenhuma qualificação, é preocupante sabermos que precisamos este tipo de mão de obra para ocupar os espaços vazios.
Governo tente reverter antipatia pela Copa
A imprensa divulgou que o governo federal prepara campanha publicitária para tentar reverter a má imagem da Copa pela população.
Claro, é mais uma despesa, é mais uma torração inútil de dinheiro público. E, evidente, trata-se de mais uma campanha mentirosa além de ser antidemocrática.
O governo petista não aceita a ideia de que governa um país democrático. E, sendo assim, não admite que seus governos sejam mal avaliados pela população. Se acham como detentores exclusivos do dom da virtude na gestão pública. É por esta ideia que repelem, de forma veemente, que a população saia às ruas para reclamar e protestar contra as más políticas do governo da senhora Rousseff.
Já disse aqui que o protesto, desde que pacífico, é um direito democrático. A tentativa do governo com a tal campanha de publicidade mentirosa é para esvaziar prováveis manifestações de rua que acontecerão durante os jogos.
Podemos esperar uma campanha que terá por fundo o tal legado que a copa deixará para os brasileiros. No fundo, vão mentir de forma descarada, porque o resultado final, na verdade está muito longe daquilo que se apresentou no projeto original, e as despesas com dinheiro público passam longe de melhorar a qualidade de vida da população em geral. Se confrontadas, por exemplo, as tais obras de mobilidade urbana, mais da metade sequer saiu do papel, e outro tanto sequer teve os recursos liberados.
Copa do Mundo qualquer um pode assistir na tevê. Mas saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, transporte público, saneamento são itens que fazem a vida das pessoas, para melhor ou para pior e, neste sentido, já se sabe que o legado será zero.
Melhor do que torrar verba pública com campanhas indecentes, seria investir este dinheiro em melhorar a rede pública de saúde, ou investir em saneamento básico. Mas quem foi que disse que o governo da senhora Rousseff está preocupado com tais necessidades? E, de certa forma, a tal campanha é o pontapé inicial da campanha eleitoral. Dilma teme que as manifestações reduzam sua aprovação e coloquem em risco sua reeleição. Ou seja, é o PT usando dinheiro público para campanha política. Mais uma vez. E, como sempre, o Judiciário se manterá calado, como se o assunto não lhe dissesse respeito. E diz. São regiamente pagos para isso.
A revolução às avessas
Nesta edição há matérias que demonstram que a revolução pretendida pelo PT na educação pública brasileira, está obtendo os resultados que o partido pretendia: tornar o país repleto de analfabetos e ignorantes. Os números estão todos aí e são incontestáveis. Não apenas temos quase 40% de universitários tidos como analfabetos funcionais, como também possuímos 38% dos analfabetos no continente sul-americano.
Como afirmei certa vez, o PT ainda conseguirá transferir o Brasil para o século 19.
