O Globo
Com informações Agência Reuters
Acordo deve ser assinado em 27 de março e não contará com participação do BNDES
BRASÍLIA - Brasil e Argentina vão criar uma linha de crédito para financiar empresários locais com objetivo de impulsionar o comércio bilateral afetado pela forte depreciação cambial no país vizinho, afirmou nesta sexta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.
Os dois países vão assinar acordo em 27 de março e o Brasil espera tornar essa linha de crédito disponível já em abril, segundo Borges.
— O montante (da linha de crédito) será o necessário para que fluxo de comércio seja normal e significativo entre exportadores e importadores dos dois países — disse.
A assinatura do acordo ocorrerá durante o encontro anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Bahia. De acordo com Borges, a linha de crédito não terá participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No estágio atual das negociações, estão sendo acertadas as garantias que serão oferecidas.
A Argentina é o terceiro parceiro comercial mais importante do Brasil, atrás de China e dos Estados Unidos. O país atravessa período econômico delicado, com crise cambial devido à escassez de dólares pela fraqueza das exportações, inflação alta, falta de investimento estrangeiro e impossibilidade de se financiar no mercado internacional.
Exportações brasileiras para país vizinho caíram no início do ano
No fim de janeiro, a Argentina flexibilizou o controle cambial para limitar a compra de dólares por parte de poupadores, com investidores se desfazendo dos bônus do país por dúvidas sobre o futuro da economia do país.
A frágil economia argentina frágil provocou queda de 23% nas exportações do Brasil para o país nos dois primeiros meses do ano, com os embarques despencando para US$ 2 bilhões.
O ministro também disse que o dólar mais estável, “na faixa entre R$ 2,30 e R$ 2,40” melhora a competitividade da indústria pelo efeito que tem de reduzir o custo da mão de obra.
— A redução em dólar do custo do trabalho contribui para dar fôlego ao setor industrial brasileiro — comentou.
Ele avaliou ainda que o efeito da alta do dólar na balança comercial ocorreu primeiro pela via do encarecimento das importações e pela substituição de fornecedores externos por domésticos e que a próxima fase será na melhora das exportações.
A balança comercial segue castigada pela retração do comércio internacional e pelo saldo negativo da conta petróleo, amargando déficit recorde histórico de US$ 6,2 bilhões nos primeiros dois meses do ano.