domingo, março 23, 2014

Custo do Maracanã para a Copa vai a R$ 1,346 bi com estruturas temporárias

Carolina Oliveira Castro 
O Globo

Estruturas temporárias devem custar R$ 50 milhões

Genílson Araújo 
Gasto com o Maracanã deve passar de 1,3 bilhão 

RIO - O valor gasto com o Maracanã para que o estádio fique como espera a Fifa até a Copa do Mundo deve ultrapassar R$ 1,3 bilhão. O governo do estado publicou no Diário Oficial de terça-feira que pretende gastar cerca de R$ 33,7 milhões, no mínimo, com estruturas temporárias para o Mundial (tendas de patrocinadores, coberturas de lonas em áreas de credenciamento, segurança, locais para caminhões de TV etc.). O valor é apenas estimativa baseada nos gastos com a Copa das Confederações, para que a Secretaria de Governo possa se planejar. Mas, no caso da Copa, esses gastos devem chegar a R$ 50 milhões.

A licitação ainda não foi lançada. Está em fase de elaboração. No entanto, na publicação de terça, no Diário Oficial, a Casa Civil do estado já descentralizou o crédito do pagamento, que será feito pela Secretaria de Governo. Se o valor chegar mesmo a R$ 50 milhões, o preço do novo Maracanã terá subido de R$ 1,266 bilhão para R$ 1,346 bilhão (sem contar os gastos com obras no entorno, a cargo da prefeitura do Rio). O estádio já é o segundo mais caro da Copa do Mundo, atrás apenas do Mané Garrincha, cujo custo final, segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal, deve chegar a R$ 1,9 bilhão.

O pagamento das estruturas temporárias tem gerado polêmica. Em Porto Alegre, por exemplo, o Internacional, dono do Beira-Rio, tenta se livrar do pagamento de R$ 30 milhões. Em São Paulo, o Corinthians, proprietário do Itaquerão, ainda corre para conseguir parceiros dispostos a investir R$ 60 milhões nessas estruturas.

O acordo da Fifa com o Brasil retira da entidade a responsabilidade por esses custos. Porém, quando surgiram os primeiros orçamentos, começou a haver questionamentos por parte dos governos locais e dos clubes donos dos estádios. Os gastos poderiam ser maiores. A Fifa chegou a rever suas exigências, o que reduziu os gastos em 15%. Ainda no caso do Beira-Rio, o presidente do Internacional, Giovanni Luigi, negocia o pagamento das estruturas com a prefeitura de Porto Alegre.

Por não ter sido responsável pelo pagamento dessas estruturas, a Fifa alega não saber quanto elas custaram na Copa da África do Sul, em 2010. No Brasil, o preço médio é de R$ 30 milhões (no caso de São Paulo, chega a R$ 60 milhões por causa da montagem de arquibancadas móveis). Se cada um dos 12 estádios gastar R$ 30 milhões com essas tendas, e os governos federal, estaduais e municipais bancarem o investimento, terão saído dos cofres públicos cerca de R$ 3,6 bilhões. Somando com o que já foi gasto na Copa das Confederações, esse valor subiria para R$ 5,4 bilhões só com estruturas temporárias. Ou seja, nos dois eventos, mais de R$ 5 bilhões em recursos públicos terão sido gastos em estruturas desmontadas no fim das duas competições.

Para economizar, as cidades que receberam jogos da Copa das Confederações vão tentar aproveitar estruturas usadas ano passado. Mas, mesmo assim, na conta final, entrará a mão de obra. Por isso, a economia será pequena. Hoje, a menos de três meses da abertura do Mundial, nem metade das 12 cidades-sede já tem edital de concorrência lançado para erguer as estruturas temporárias. Os gastos precisam incluir, além da montagem, o desmonte dos barracões, tendas e contêineres que serão usados pela Fifa.