O Estado de S. Paulo
Edição de revista semanal repercute negativamente no País com visão 'relaxa e aproveita'
Walter Bieri/EFE
A revista informa que cerca de 600 mil visitantes são esperados
no País para acompanhar os jogos do Mundial de Futebol.
SÃO PAULO - Depois da repercussão negativa, a Fifa retirou do ar a reportagem Brasil para principiantes, publicada na última edição de sua revista semanal digital. Na matéria, que dava dicas para turistas que visitam o País pela primeira vez para a Copa do Mundo, a entidade descreve os brasileiros como, entre outros adjetivos, sem pontualidade, mesmo com estádios, e mal educados no trânsito.
A imagem utilizada para ilustrar a reportagem também foi recebida negativamente. Duas mulheres tomam sol de biquíni em uma praia no Rio de Janeiro, enquanto assistem à uma 'pelada' na areia. Com intenção de ser bem humorada em sua apresentação da sede do Mundia, a Fifa acabou causando controvérsia em tópicos com poucos pontos positivos. Veja:
1. Sim nem sempre significa sim
Os brasileiros são otimistas e nunca começam uma frase com a palavra "não". Para eles, "sim" significa na realidade 'talvez". Quando disserem "Sim, eu te ligo", é melhor que não espere que o telefone toque nos próximos cinco minutos.
2. Horário flexível
A pontualidade é um conceito muito flexível no Brasil. Quando marcar com alguém, ninguém espera que estará no lugar combinado na hora exata. O normal é contar com uns 15 minutos de atraso.
3. Contato físico
Os brasileiros e as brasileiras não estão familiarizados com o costume da Europa de manter distância como norma de cortesia e conduta. Eles falam com as mãos e não evitam de tocar o interlocutor. Isso pode facilmente se transformar em um beijo se a conversa estiver ocorrendo em uma discoteca, por exemplo.
4. Fazer fila
A paciência na hora de esperar não é uma das principais virtudes dos brasileiros. Por exemplo, não existe uma "fila mecânica" como na Inglaterra. Os brasileiros preferem ser inteligentes, sempre se arranjando para chegar na frente.
5. Moderação
Quem se animar a ir a uma churrascaria, deverá praticar jejum de 12 horas e maneirar na hora de comer, já que as melhores carnes chegam na parte final.
6. A lei do mais forte
A regra que dá direito à preferência dos carros no trânsito é simples: o veículo maior passa na frente.
7. Proibido fazer topless
A imagem das mulheres com pouca roupa, tão típica no carnaval, pode ser enganosa e é diferente da realidade. É certo que os biquínis brasileiros têm menos pano que os europeus, mas as brasileiras nunca os tiram na praia, onde fazer topless é proibido e pode resultar em prisão.
8. A língua espanhola não vale
Os turistas que tentarem se comunicar em espanhol terão a sensação de estar falando com as paredes. A língua nacional do país é o "brasileiro", uma variável do português. Quem falar que Buenos Aires é a capital do Brasil, pode estar seguro de que será deportado imediatamente.
9. Experimentar o 'açaí'
As bacias da Amazônia fazem maravilhas: previnem as rugas e têm o mesmo efeito de uma bebida energética. Algumas mordidas podem recuperar o jogador de futebol mais cansado.
10. Paciência
No Brasil é muito comum fazer as coisas no último minuto. A recomendação aos turistas é que tenham muita paciência. No final, tudo estará pronto a tempo. Isso pode ser aplicado aos estádios. A filosofia dos brasileiros na vida pode ser resumida com a seguinte frase: "relaxa e aproveita."
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pura besteira. Nada há no texto que não rigorosamente de acordo com o costume do povo brasileiro. Se alguém se sentiu ofendido com o texto, que faça uma profunda reflexão sobre si mesmo. Vai se dar conta de que dos dez pontos, pelo menos metade coincide com seu comportamento diário. É impressionante a incapacidade do país de conviver com a crítica sobre si mesmo, principalmente se esta crítica for feita por estrangeiros. Contudo, nos achamos no direito de achincalhar quem quer seja.
E, convenhamos, o texto produzido pela FIFA é muito mais educativo para os estrangeiros conviverem bem com os brasileiros do que propriamente uma crítica ao nosso jeito de ser. Este tipo de cretinismo parece mesmo ser a marca registrada dos governos petistas.