domingo, março 23, 2014

Brasil, o país do social? Nem tanto, se comparado ao mundo

Marco Prates
Exame.com

Em comparação com países desenvolvidos, o Brasil gasta uma parte bem menor de suas riquezas em gastos sociais, mostra relatório da OCDE

Buda Mendes/Getty Images 
Jovem faz embaixadinhas em favela do Rio de Janeiro: gastos sociais do Brasil 
estão muito abaixo dos de países desenvolvidos, mas à frente da maioria dos emergentes

São Paulo – Quando se trata de gastos sociais, o Brasil está na lanterna se colocado ao lado da atenção depositada por países desenvolvidos. Enquanto 14,4% do PIB nacional vai para a área, na França, são 32,8%, mostra o relatório “Society at a Glance 2014”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lançado nesta semana (veja documento na íntegra abaixo).

Gastos sociais incluem serviços como a previdência, saúde e benefícios sociais diversos contra o desemprego e a pobreza, como o programa Bolsa Família.

Este último é inclusive elogiado no documento.

Dos 40 países analisados pela OCDE – a maioria são países desenvolvidos membros da organização – o Brasil aparece bem cotado entre os emergentes.

A porcentagem nacional é maior que a da Índia (4,6%), África do Sul (8,1%) e China (9%). Mas é menor que a da Rússia (15,7%).

Mas entre os que dão mais atenção à área social, além da França, os gastos chegam a quase um terço do PIB: Dinamarca (30,8%), Bélgica (30,6%) e Finlândia (30,3%).

Neles, portanto, as políticas públicas tendem a ser mais generosas quando se trata de dar proteção social aos seus habitantes, notadamente para aqueles em situação econômica mais desfavorável.  

Vale lembrar que esses números não permitem visualizar, além da qualidade do gasto, o peso de cada fator (se a previdência ou a saúde têm mais atenção, por exemplo). 

A OCDE se mostra preocupada que gastos sociais apresentem diminuição em tempos de crise - fato ocorrido em várias nações europeias -, sendo este justamente o momento quando são mais necessários.

O relatório elogia a melhora na distribuição de renda no Brasil, com os mais pobres apresentando um aumento de renda em ritmo chinês e os mais ricos em ritmo alemão.

Mas a organização defende que os gastos sociais – que podem inclusive trazer benefícios para a economia – devem ser bem planejados para funcionar.

“Um ajuste fino nos alvos (dos benefícios) é necessário, a fim de evitar a criação de incentivos perversos que impedem as pessoas de encontrar trabalho. Por exemplo, as pessoas desempregadas que estão prestes a iniciar um trabalho podem sofrer perdas ou podem ganhar muito pouco quando mudam dos benefícios para um salário”, diz trecho do documento.