sexta-feira, março 07, 2014

Custo da Copa bate em R$ 26 bilhões, de acordo com Matriz de Responsabilidade

Almir Leite 
O Estado de S. Paulo

Montante investido na organização do evento, se revisado, poderá chegar até os R$ 30 bilhões

SÃO PAULO - O custo da Copa do Mundo é de R$ 26 bilhões, de acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidades, documento que reúne todas as intervenções relacionadas com o Mundial a cargo do governo federal, dos governos estaduais e cidades-sede. A lista tem de obras em estádios a projetos na área de turismo, passando por telecomunicações, portos e segurança, entre outros itens, formando um quadro completo.

No entanto, esse valor está defasado (há estimativas de que, no final, a conta baterá nos R$ 30 bilhões). Isso porque a última atualização da Matriz foi feita em setembro do ano passado – houve outra em novembro, basicamente para a retirada do documento de obras que não ficarão prontas até a Copa.

BA Press
A Fonte Nova está pronta e vem sendo
usada com frequência no Campeonato Baiano

Dessa maneira, não entraram no cálculo despesas como as com as estruturas temporárias, exigência da Fifa para todas as arenas do Mundial. Em média, o custo vai ser R$ 40 milhões por estádio, a serem gastos com itens diversos como aluguel de tendas, aparelhos de raio X e implantação do sistema de tecnologia de informação.

Essa é uma das pendências na preparação para a Copa. A 100 dias de a bola rolar, a maior parte das cidades ainda não viabilizou a aquisição de materiais e equipamentos que compõem o aparato das temporárias. Pior: em alguns casos ainda há discussão para definir quem vai pagar a conta.

SÃO PAULO
É o caso de São Paulo. Por contrato, a obrigação de arcar com os custos – R$ 43 milhões, de acordo com orçamento apresentado em 20 de janeiro por Andrés Sanchez ao prefeito Fernando Haddad e ao secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke – é do Corinthians, o dono da arena.

Prefeitura e governo estadual contribuirão com instalações físicas e materiais para as temporárias no estádio em Itaquera, mas os cerca de R$ 39 milhões que terão de ser gastos com itens como tendas, cabos óticos e aluguel de geradores deverão ficar a cargo do clube. O Corinthians busca parcerias para viabilizar as temporárias. O problema é que o tempo está passando, no caso da Arena Corinthians e de várias outras, e o atraso pode comprometer a qualidade de alguns sistemas e equipamentos que serão instalados.

Segundo especialistas da área, por exemplo, são necessários 120 dias para instalar toda a infraestrutura de telecomunicações (antenas, cabos, roteadores e vários outros itens). Até agora, nenhum dos 12 estádios teve o sistema instalado.

PELA METADE
Há obras complexas por fazer, mas até intervenções simples estão atrasadas. É o caso das obras no entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre. Basicamente, é preciso fazer a pavimentação das vias, pequenas, mas ainda não foi feita sequer a licitação – o primeiro edital não atraiu interessados. Com isso, há o risco de a obra acabar durante a Copa (o prazo de execução é de quatro meses).

Há situações em que a obra prometida será entregue parcialmente. O principal exemplo é o do VLT entre Cuiabá e Várzea Grande, no Mato Grosso, projetado, entre outros argumentos, para atender a Arena Pantanal. Até a Copa, porém, só estarão concluídos 5,7 km dos 23 km do percurso.

O VLT de Cuiabá é sempre citado pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, quando fala do legado da Copa. Ele argumenta que, não fosse o Mundial, tal obra só seria realizada daqui a 30 anos. Assim, terminado o Mundial restará observar quanto tempo vai levar que o VLT esteja totalmente concluído.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há duas questões que precisam ser destacadas. A primeira diz respeito ao expressivo custo da Copa. Ocorre que este valor poderia ter chegado a R$ 50 bi fácil, fácil, se o Brasil tivesse cumprido a agenda original de obras de mobilidade urbana. Cerca de 20 empreendimentos foram retirados da tal matriz de Responsabilidade por absoluta incompetência do governo federal. Muito sequer saíram da fase de “projeto” e, diante da calamidade  de não cumprir ou não entregar o prometido e comprometido com a FIFA, o governo desistiu de sua realização. Além disso, como se lê acima, muita coisa não entrou na conta. Aliás, em matéria de transparência,  a Copa revela que o poder público continua um zero total. 

E o segundo destaque vai para o ministro Aldo Rebello. Este senhor deveria se envergonhar e parar de mentir para o Brasil quanto ao VLT de Cuiabá. Falar sobre o empreendimento em Rio e São Paulo é uma coisa, outra, muito diversa seria repetir o mesmo discurso cafajeste em Cuiabá.  No ritmo  atual das obras,  nem em 30 anos ele será entregue e concluído, sem contar o enorme gargalo que tem provocado no trânsito da capital do Mato Grosso. E podem escrever: dentro de 10 anos ainda estaremos tentando cobrar das autoridades a conclusão do VLT, além de nos referirmos a ele pelo custo muitas vezes multiplicado face à lentidão com que vem sendo tocado. 

Assim, senhor ministro Aldo Rebello, um pedido: assuma, de uma vez por todas, a verdade dos fatos e pare de mentir de forma escandalosa. Porque este VLT (ou Viajando Lentamente no Tempo) nem ficará pronta para a Copa, tampouco seu cronograma cumprirá ao menos 50% do previsto, aliás pelas promessas vagabundas, será entregue apenas 20% do total projetado.  O resto, só Deus sabe (se é que Ele quer se meter nesta lambança)! 

(clique para ampliar)