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Renata Veríssimo, Estadão Conteúdo
Na última semana de fevereiro, houve um superávit de US$ 562 milhões, resultado de vendas externas de US$ 5,054 bilhões e importações de US$ 4,492 bilhões
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Exportações: no acumulado do primeiro bimestre de 2014, o saldo ficou negativo
em US$ 6,183 bilhões, também o pior resultado para um primeiro bimestre
Brasília - A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 2,125 bilhões em fevereiro, o pior resultado para o mês de toda a série histórica, iniciada em 1994.
As exportações somaram US$ 15,934 bilhões, com média diária de US$ 796,7 milhões. As importações no mês passado totalizaram US$ 18,059 bilhões, com média diária de US$ 903 milhões.
O resultado do mês passado veio melhor do que as estimativas de 21 instituições do mercado financeiro consultadas pelo AE Projeções, que variavam de um déficit entre US$ 2,800 bilhões e US$ 4,166 bilhões, com mediana negativa de US$ 3,000 bilhões.
Na última semana de fevereiro, houve um superávit de US$ 562 milhões, resultado de vendas externas de US$ 5,054 bilhões e importações de US$ 4,492 bilhões.
Os dados foram divulgados há pouco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
No acumulado do primeiro bimestre de 2014, o saldo ficou negativo em US$ 6,183 bilhões, também o pior resultado para um primeiro bimestre.
As exportações no ano somam US$ 31,960 bilhões e as importações, US$ 38,143 bilhões.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O que explica o pior 1º bimestre da história, segundo Valéria Maniero do jornal O Globo:
É importante entender o que aconteceu com a balança comercial brasileira no primeiro bimestre deste ano, que registrou déficit de US$ 6,2 bi, o pior resultado desde o início da série histórica, em 1980, segundo Bruno Lavieri, economista da consultoria Tendências.
Ele diz que a crise na Argentina e o preço das commodities em níveis menores são os dois principais fatores que explicam esse primeiro bimestre pior em relação aos dois primeiros meses do ano passado, quando o rombo foi de US$ 5,3 bi.
As exportações para o Mercosul caíram, puxadas pelo recuo de 16% nas vendas para a Argentina (média diária). Para a União Europeia, a exportação também diminuiu: quase 13% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2013. Como se sabe, o bloco passa por uma crise e a recuperação é incerta.
Por outro lado, diz o economista, cresceram as exportações para os EUA (7,4% em comparação com o primeiro bimestre de 2013) e para a China (25%).
Nessa mesma base de comparação, as importações recuaram 1,4% (pela média diária), por causa do consumo mais fraco e do câmbio.
- As importações caíram no primeiro bimestre, mas as exportações caíram mais, por isso o aprofundamento do déficit - diz o economista.
A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que o resultado de fevereiro - déficit comercial de US$ 2,125 bilhões - poderia ter sido ainda pior. Os analistas previam um número mais feio, porém, a última semana do mês surpreendeu ao registrar superávit de US$ 562 milhões, por conta das exportações de soja.
- Houve antecipação nos embarques da safra em relação ao ano passado - explica o economista.
