sexta-feira, abril 11, 2014

COI decide intervir na Rio 2016: 'É hora de agir'

O Globo 
Com Agências 

Atraso nas obras preocupa presidente do Comitê Olímpico Internacional
'Sensação é de que estamos na situação mais crítica de preparativos para os Jogos nos últimos 20 anos' diz dirigente
Diretor-executivo do COI será enviado ao Rio mais cedo do que o planejado

Custodio Coimbra / O Globo 
Obras da Vila Olímpica no Rio 

BELEK, Turquia - O Comitê Olímpico Internacional (COI) vai adotar uma série de medidas, incluindo uma presença mais forte no Rio de Janeiro, para monitorar o progresso e acelerar os preparativos atrasados para as Olimpíadas de 2016, anunciou o presidente do COI, Thomas Bach, nesta quinta-feira. Em resposta a pedidos de federações desportivas para elaboração de um plano de emergência para combater os atrasos nas obras, Bach prometeu intervir e evitar uma crise. Segundo ele, a situação atingiu um ponto crítico.

- É hora de agir - declarou Bach, após uma enxurrada de críticas e reclamações de dirigentes desportivos internacionais sobre a falta de progresso no Rio de Janeiro. - Nós compartilhamos suas preocupações. Posso dizer categoricamente que faremos todo o possível para que os Jogos sejam um sucesso - garantiu, em entrevista coletiva na Turquia, nesta quinta-feira.

Todas as federações esportivas, exceto a de vôlei, manifestaram preocupação em encontro com o COI. A pergunta era sobre a existência de algum plano de contingência em relação a locais onde serão disputadas as competições. Uma das federações - a de handebol - indagou se haveria um plano B para os Jogos em geral, no caso de o Rio não estar pronto a tempo. Sem descartar completamente a possibilidade de tirar as Olimpíadas da cidade, o COI deixou claro, segundo informam as agências internacionais, que espera que a competição seja mesmo no Rio, apesar de o cronograma já estar bastante apertado.

- A sensação é de que estamos na situação mais crítica de preparativos para os Jogos, pelo menos nos últimos 20 anos - destacou o líder da Associação Internacional de Federações de Esportes Olímpicos de Verão, Francesco Ricci Bitti, que, no entanto, disse não haver um plano de emergência para tirar as Olimpíadas do Rio, e sim para mudar as sedes de algumas modalidades (o basquete, por exemplo, segundo ele, poderia ter partidas em São Paulo).

Ao final de uma reunião de dois dias do conselho-executivo do COI, o presidente informou:.

- Tomamos algumas decisões sobre como podemos acelerar, de uma forma ou de outra, as obras no Rio e como podemos trabalhar ainda mais próximo do comitê organizador e dos diferentes níveis de governo - declarou Bach.

Mais visitas ao Rio
Entre as medidas tomadas estão a criação de um órgão de decisão envolvendo o governo, o COI e o comitê organizador para que as decisões sejam tomadas mais rapidamente, e o envio do diretor-executivo de Jogos Olímpicos do COI, Gilbert Felli, para o Rio mais cedo do que o inicialmente planejado.

- Vamos lá para ajudar, não para apontar o dedo a ninguém - disse Felli.

A frequência de visitas da comissão de avaliação à cidade também será aumentada, e o COI vai contratar gerentes de projeto locais para a execução diária dos planos e enviar forças-tarefas especializadas compostas de especialistas para analisar questões específicas. Estes profissionais serão nomeados nas próximas semanas, segundo Bach.

Bach disse que os organizadores brasileiros e o prefeito do Rio foram informados das medidas e as acolheram.

- Não se trata de dar cartões (amarelos). Trata-se de garantir o sucesso destes Jogos. Nós ainda acreditamos que esses Jogos podem ser muito bem-sucedidos e vamos empreender todas as medidas para tornar esses jogos um sucesso.

Embora o Rio tenha conquistado o direito de sediar o evento em 2009, as obras do Parque Olímpico de Deodoro, onde serão disputadas nove modalidades, ainda não foram iniciadas, e o ritmo do progresso em outros locais-chave é lento.

Velejadores têm criticado a poluição da baia de Guanabara, onde serão disputadas as provas de iatismo, e desde a semana passada os operários do Parque Olímpico da Barra da Tijuca entraram em greve cobrando aumento de salário.

- Precisamos de toda a nossa energia, porque nós compartilhamos as preocupações. O que estamos fazendo, com nossa experiência na organização de Jogos, é mostrar maneiras pelas quais os diferentes níveis de governo podem trabalhar melhor juntos, como a cooperação contínua pode ser assegurada.

- Após a cerimônia de encerramento dos Jogos do Rio, podemos voltar a esta questão (de quem é a culpa) e falar sobre a responsabilidade.