O Globo
A estimativa foi feita pela consultoria Austin Rating com base nos dados do Fundo Monetário Internacional
SÃO PAULO - Se as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) se confirmarem, o Brasil poderá perder o posto de 7ª maior economia do mundo para a índia em 2018. As estimativas do FMI foram compiladas pelo economista-chefe da consultoria Austin Rating, que chegou a esta conclusão. De acordo com o FMI, em quatro anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da Índia deverá atingir US$ 2,8 trilhões, enquanto o brasileiro será de US$ 2,7 trilhões.
- Três anos atrás a expectativa era de que o PIB do Brasil ultrapassasse o da Inglaterra em breve. Mas o país está mais uma vez perdendo uma janela de oportunidade para fezer investimentos e atrair investidores internacionais com uma política econômica equivocada - afirma o economista da Austin.
De acordo com os dados do FMI, a Índia é o país que mais deverá subir posições no ranking das dez maiores economias do mundo até 2019. O país deverá passar da 10ª posição em 2014 para a 7ª em 2018, superando além do Brasil, as economias da Itália e da Rússia. Entre as chamadas economias desenvolvidas, a única mudança apontada pelos dados do FMI é o Reino Unido superando a França em 2016 e passando a ocupar a 5ª posição entre os dez maiores PIBs do mundo.
Agostini lembra que, pelos números do FMI, em 2014, o Brasil só vai crescer mais do que a Argentina e a Venezuela na América do Sul.
- São países com problemas políticos crônicos. Por aqui, não temos o patamar de desconfiança que Argentina e Venezuela apresentam aos investidores, mas ainda assim crescemos pouco. O reflexo negativo é que o investimento que poderia gerar mais emprego e elevar o nível de renda da população fica comprometido - afirma o economista.
As estimativas do FMI mostram que as dez maiores economias do mundo representam 65% do PIB mundial, o equivalente a US$ 76,8 trilhões. Embora o Brasil deva apresentar um crescimento muito pequeno nos próximos anos, os países emergentes vêm ganhando espaço nesse ranking. Atualmente, as economias desenvolvidas têm peso de 44,5% no PIB mundial, enquanto os emergentes representam 21,3%. Em 2019, a expectativa é que os desenvolvidos tenham peso de 42,7%, enquanto os emergentes deverão representar 22,9%.
Agostini observa que o Brasil tem perdido espaço entre os emergentes.
- Para este ano, a previsão é que o PIB brasileiro cresça apenas 1,8% enquanto o da Rússia deverá crescer 1,3%. E a Rússia está enfrentando uma fuga de investidores e está envolvida num problema geopolítico com a Ucrânia. No Brasil, não temos nenhuma dessas condições e mesmo assim a diferença dos PIBs é muito pequena - afirma o economista.
Pelas previsões do FMI, em 2014, o PIB brasileiro será de US$ 2,2 trilhões (o sétimo maior do planeta) e o da Rússia deve chegar a US$ 2 trilhões (nona maior economia). Já em 2018, o PIB russo deverá chegar a US$ 2,4 trilhões, ocupando o décimo lugar no ranking, enquanto o Brasil ficará com a oitava posição (US$ 2,7 trilhões).
As dez maiores economias do mundo
(PIB em trilhões de US$)
2014
• EUA 17,5
• China 10
• Japão 4,8
• Alemanha 3,8
• França 2,88
• Reino Unido 2,82
• Brasil 2,2
• Itália 2,1
• Rússia 2,0
• Índia 1,9
Previsão para 2018
• EUA 21,1
• China 13,9
• Japão 5,5
• Alemanha 4,6
• Reino Unido 3,5
• França 3,4
• Índia 2,8
• Brasil 2,7
• Itália 2,5
• Rússia 2,3
Fonte: FMI compilação Austin Rating