Editorial
O Globo
Arrefecimento do mais antigo conflito armado do continente aumenta confiança dos agentes econômicos e fortalece a democracia
O FMI previu para a Colômbia este ano uma inflação de 1,9% — a mais baixa da América Latina — e um avanço do PIB de 4,4%, o quinto mais elevado na região. O país está entre os quatro maiores receptores de investimentos estrangeiros diretos (IED) no continente — US$ 16 bilhões em 2012. A economia colombiana se beneficiou com o arrefecimento do conflito armado que dura mais de 50 anos, causou um número de mortos calculado em 600 mil pessoas e deixou dezenas de milhares de feridos, entre guerrilheiros, militares e civis.
O bom desempenho econômico resultou na geração de 2,2 milhões de novos empregos (800 mil sob a forma de primeiro emprego para jovens) nos últimos três anos. Com 43 meses seguidos de declínio do desemprego, o país exibe avanços sociais em ritmo invejável para os vizinhos, embora as dimensões de sua economia sejam incomparavelmente reduzidas diante da do Brasil.
A virada começou no governo de Álvaro Uribe (2002-2010) e ganhou força no do atual presidente, Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa de Uribe e candidato à reeleição em 25 de maio. Uribe travou uma guerra com as Farc utilizando as Forças Armadas com apoio financeiro dos EUA, via Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico.
Apesar de manter a pressão militar sobre a guerrilha, Santos caminhou na direção de uma negociação, iniciada em novembro de 2012, em Cuba, com o objetivo de se chegar a um acordo de paz. Para o candidato à reeleição, um acordo possibilitará à Colômbia elevar o PIB em até dois pontos percentuais.
Os investidores reagiram bem à melhoria das condições de segurança e do clima de negócios no país, com a perspectiva de se por um ponto final no conflito. Políticas econômicas adequadas reduziram a inflação e a desigualdade social, embora ainda haja muito a fazer em relação, por exemplo, aos milhões de deslocados internos pela guerra civil.
A estatal Ecopetrol ganhou fôlego com a nova realidade colombiana — uma das táticas dos guerrilheiros era dinamitar seus oleodutos — e já é hoje a 12ª maior empresa latino-americana. O país se beneficiou de sua adesão à Aliança para o Pacífico, que reúne também México, Peru e Chile, e tem conseguido incrementar o fluxo comercial em sua área de influência, ao contrário do Mercosul, que tem regredido. Com a redução das ações armadas, o turismo colombiano floresceu.
O processo de desenvolvimento é promissor, e deverá ganhar dinamismo na medida em que as negociações com a guerrilha — que tem um pé no narcotráfico — avançarem para um acordo de paz, com incorporação dos grupos rebeldes à política partidária. Ganha a democracia e é muito bom para o Brasil, para quem se abre um novo mercado regional.