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Cinquenta e duas toneladas de papel de jornal foram enviados para diários em dificuldade. Treze jornais deixaram de circular por falta do insumo
Diego Braga Norte/Veja.com
Muro é pichado em Caracas como forma de protesto contra o governo de Maduro, na Venezuela
A Associação Colombiana de Editores de Jornais e Mídia enviou dois caminhões carregados com 52 toneladas de papel à Venezuela, reporta o jornal espanhol El País nesta quarta-feira. A medida, segundo a Associação, tem o intuito de prestar solidariedade e ajudar a imprensa venezuelana, que tem sérias dificuldades em importar papel por causa do câmbio artificial implantado pelo governo de Nicolás Maduro.
No câmbio oficial, um dólar valer cerca de 6,30 bolivarianos e no câmbio das ruas, o real, a moeda americana chega a ser comprada na escala de 1 para 70 bolivarianos – valor mais de dez vezes superior. Por terem de seguir regras fiscais e contábeis, as empresas só podem operar com o câmbio oficial do governo e acabam perdendo muito dinheiro com isso.
Se não bastasse a pressão do governo para cercear a liberdade de imprensa no país, inclusive omitindo dados oficiais públicos, a situação da imprensa venezuelana chegou a tal ponto que treze jornais já saíram de circulação e outros dezessete diminuíram suas edições por falta de papel. A carga vai sair de Cartagena e viajará por dois dias até alcançar solo venezuelano. Na Venezuela, o papel será levado para Barquisimeto para ser utilizado pelo o jornal El Impulso, que é o diário mais antigo do país. O restante seguirá para Caracas para ser usado pelos jornais El Nacional e El Nuevo País, que são os mais afetados pela restrição.
"Em vista dessas limitações para acessar o papel, que não é produzido na Venezuela e exige moeda estrangeira para comprá-lo, concluímos que tínhamos de dar um forte apoio para os jornais venezuelanos", disse ao El País Nora Sanin, diretora da Associação Colombiana de Editores de Jornais. Nora explicou que a medida é simbólica, pois as 52 toneladas de papel são suficientes apenas para 15 dias de circulação dos jornais que serão ajudados. Com essa ação, a associação pretende chamar a atenção de outros periódicos da região para aderirem à iniciativa de cederem parte de seus estoques de papel aos diários venezuelanos.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) também se pronunciou sobre a carência dos jornais da Venezuela e pediu ao governo para não impor restrições à remessa de papel. "Esta ação de apoio vai testar o governo da Venezuela, para ver se ele continua com sua estratégia de limitar o direto de expressão dos jornais, as poucas vozes independentes que restam no país e que o presidente Nicolas Maduro procura silenciar", disse Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, em um comunicado. "Os jornais são a última janela do exercício livre e independente na Venezuela depois que os meios audiovisuais passaram a sofrer intervenção direta do governo”, completou Nora.
Artigo –
O jornal The New York Times publicou nesta quarta-feira um artigo assinado por Nicolás Maduro. O presidente da Venezuela, mais uma vez, condenou os manifestantes e disse que os protestos querem derrubá-lo por meio de um golpe de Estado. Em seu texto, o sucessor de Hugo Chávez defende uma solução pacífica para a crise na Venezuela e enumera as medidas que tomou para tentar aliviar o caos político, econômico e social que tomou conta do país.
Desde 12 de fevereiro, a Venezuela tem protestos diários contra o governo. As manifestações deixaram 39 mortos e mais de 450 feridos. Os manifestantes protestam contra a inflação, o desabastecimento, a violência e por maior liberdade de expressão. Maduro considera que os protestos são uma tentativa de golpe de Estado orquestrado pela oposição em aliança com os Estados Unidos e a Colômbia.
