Tatiana Farah
O Globo
Ex-presidente, em Sorocaba, ainda reforçou a polarização entre ricos e pobres, falando que adversários não governam para as classes baixas
SOROCABA (SP) - Depois de traçar uma estratégia do medo do passado para a propaganda eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou militantes do interior de São Paulo, na noite desta sexta-feira, a comparar os governos petista e tucano e disse que a comparação "incomoda" o PSDB. Como em campanhas passadas, Lula também reforçou a polarização entre ricos e pobres, afirmando que os adversários não governam para as classes baixas.
- Nós conseguimos fazer em onze anos o que eles não conseguiram fazer em todo o século 20. Nós temos de comparar, sim. Eles não querem comparação, mas temos de comparar o que fizemos neste país e o que eles fizeram. Comparados a eles, os nossos defeitos são muito menores - disse o ex-presidente, para quem "os tucanos ficam nervosos" com comparações - disse Lula, bastante rouco. O ex-presidente, pela manhã, havia discursado por 1h15m em um encontro de blogueiros na capital paulista.
Lula participou nesta noite de uma plenária com militantes em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, ao lado do pré-candidato ao governo paulista pelo partido, o ex-ministro Alexandre Padilha. Alguns médicos cubanos foram à plenária, e dois deles chegaram a se levantar quando Lula discursava para saudá-lo.
Ao falar que os adversários o criticavam por atribuir a si mesmo as realizações do governo, dizendo "Lula descobriu o Brasil", o ex-presidente provocou:
- Se o Brasil não existisse na época, eu tinha descoberto mesmo.
Assim como em uma palestra para blogueiros em São Paulo esta manhã, Lula fez críticas pesadas aos adversários, afirmando que "as elites" não promoveram a educação superior para os mais pobres.
- Para eles, todos deveriam terminar como eu - disse Lula, referindo-se a sua formação técnica.
O ex-presidente disse ainda que os adversários se sentem incomodados com a ascensão dos trabalhadores e o acesso a bens de consumo. Criticou os que se queixam do alto número de automóveis vendidos no país, complicando o trânsito nas grandes cidades:
- Se estão incomodados, deixem o carro na garagem e vão andar de ônibus. Deixem o pobre andar de carro - disse Lula, que completou:
- A gente não gosta de carne de segunda, não, a gente gosta de carne de primeira. A gente quer comer filé, quer comer picanha.
O petista disse ainda que o governo do PSDB em São Paulo não tem políticas para os pobres:
- Quem cuida dos pobres neste estado é o governo federal.
Ao lado de Padilha, Lula fez uma referência à crise de abastecimento de água em São Paulo devido ao esgotamento do Sistema Cantareira.
******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não é apenas a tática do medo que os petistas pretendem empregar na campanha. Também o estilo cafajeste. Esta comparação já desmontei aqui inúmeras vezes,e o arquivo do blog está repleto de artigos com dados oficiais capazes de fazer de Lula o rei dos cafajestes.
Talvez aqueles políticos tucanos oportunistas, desinformados e que existem em todos os partidos, inclusive no PT, não tenham nem bagagem intelectual nem informativa para enfrentar o patife mor dos petistas.
Não aqui no blog. Este tipo de mistificação aqui não encontra nem prospera. Provado está que o propalado sucesso do governo Lula nos dois mandatos, se deve, sobretudo, a dois fatores inquestionáveis: de um lado, a herança recebida de FHC, com uma economia estabilizada, sistema bancário fortalecido, hiperinflação debelada, contas públicas equilibradas, dívida externa equalizada, aparato institucional impeditivo da irresponsabilidade política, e programas sociais que já produziam efeitos bastante positivos desde 1995. E o IBGE está aí para mostrar quem fala a verdade e quem vende mistificação.
O segundo fator, foi o crescimento virtuoso da economia mundial durante 5 anos, 2002 a 2007, que permitiram ao Brasil, graças a competência da nossa agropecuária, tão maltratada pelos petistas, que permitiram o país formar um colchão de segurança impressionante através de reservas internacionais.
Reparem que, quando a economia mundial parou de ajudar, ficou claro que os petistas nada tinham a mostrar. Como jogaram fora a oportunidade de modernizar o país e levar adiante as reformas que faltaram FHC implementar, não por não quisesse, mas por falta de tempo, a economia brasileira começou a definhar. Aquele fabuloso crescimento de 2010, de mais de 7%, só foi possível por conta da base do ano anterior ter sido negativa. Na média, Lula, com todos os ventos a seu favor, e sem precisar fazer ou acrescentar absolutamente nada ao que já havia quando chegou ao poder, não foi lá muito maior do que a média de crescimento de FHC, tendo este que remar contra um país falido, desorganizado em suas finanças, com uma oposição que se caracterizava por subverter todos os governos anteriores, um Brasil falido graças às moratórias de Sarney, com uma economia mundial convulsionada por repetidas crises de dívida de inúmeros países.
Tucano que se preze tem muito para se orgulhar. Este discurso canalha de Lula é sempre uma tentativa estúpida de constranger adversários, tentativa de caluniar a quem ele muito deve e de quem apanhou nas urnas duas vezes. E Lula vai ser sempre assim. Ou se está junto dele, mas submisso e genuflexo, ou se está contra, e aí a maledicência e a linguagem apodrecida de sua moral torpe não encontra limites.
Hoje, o país todo já sabe a quem devemos a nossa estabilidade econômica e o início do resgate social de milhões de brasileiros. Lula apenas aproveitou a onda e aprofundou o processo.
Quanto a comparação, sempre propus outra equação. Que se comparasse o Brasil que FHC recebeu com aquele que ele entregou à Lula. Aí, sim, teríamos uma ideia correta de quem fez o quê. Infelizmente, Lula covarde que é, jamais toparia tal comparação. Ele sabe que sua auréola santificada se desmancharia feito pó.
Lula é tão cafajeste, mas tão cafajeste, que no poder quis perseguir e difamar a senhora Ruth Cardoso, com mentiras e dossiês criminosos, para cuja tarefa indecente contou com a ajuda prestimosa de sua estafeta ridícula da época, Dilma Rousseff.
Mas, tipinho asqueroso como o ex em exercício, sempre acaba falando mais do que deve. Em outro texto, vamos ver o quanto Lula odeia os pobres. E os usa apenas para se beneficiar do poder. Mas na hora de oferecer a eles alguma decência, Lula faz discursos imorais. Cedo ou tarde, sua arrogância exacerbada ainda vai derrubá-lo.