Contas Abertas
O Grupo Eletrobras enfrenta período de austeridade desde 2012, quando teve de renovar concessões elétricas e sofreu queda de receita. As dificuldades financeiras estão refletidas nos gastos da estatal: no primeiro quadrimestre deste ano foram reduzidos R$ 459,2 milhões do valor investido, já corrigido pela inflação, quando comparado ao mesmo período de 2013.
Percentualmente, esse valor também caiu. Até agora, o Grupo, composto por 20 empresas energéticas, executou R$ 1,4 bilhão dos R$ 9,9 bilhões previstos, isto é, nos quatro primeiros meses do ano a estatal investiu apenas 14% do valor autorizado. No ano passado, esse percentual era de 17%, quando aplicou R$ 1,9 bilhão dos R$ 10,9 bilhões orçados.
O valor orçado também indica uma queda do previsto para investimento ao longo dos anos. Nota-se uma redução de mais de R$ 1 bilhão do total autorizado no ano passado para este ano. Esse decréscimo começou em 2012, quando foram previstos R$ 11,8 bilhões para investimentos. Já para o valor gasto no quadrimestre, a redução vem desde 2011, quando foram aplicados R$ 1,5 bilhões e valor similar no ano seguinte.
Com os R$ 9,9 bilhões deste exercício, pretende-se executar 135 ações. Das cinco com maior investimento previsto, apenas uma apresenta execução pouco acima de 30%, a chamada “Reforços e Melhorias no Sistema de Transmissão de Energia Elétrica na Região Nordeste”, em que já foram aplicados R$ 138,4 milhões de R$ 433 milhões do autorizado.
A segunda melhor executada também é direcionada para o nordeste, a qual pretende ampliar o sistema de transmissão de energia elétrica da região. Para a iniciativa, foram orçados R$ 629 milhões, dos quais R$ 139,7 já foram desembolsados, o que representa 22%.
Já passados os quatro primeiros meses do ano, as outras grandes ações continuam com execução baixa. A que possui maior aporte orçamentário, na qual pretende-se investir R$ 2,1 bilhões para construção da Usina Nuclear de Angra III, teve apenas 11% realizado, ou R$ 230,4 milhões.
No ranking das mais valorosas, ainda estão R$ 405,7 milhões para a manutenção do sistema de geração de energia termonuclear de Angra I e II, com somente R$ 35,3 milhões executados (9%), e R$ 376,5 milhões previstos para a manutenção do sistema de transmissão de energia elétrica de Furnas, com R$ 53,5 milhões aplicados (14%).
Em artigo publicado hoje em “O Globo”, o economista Raul Velloso afirmou que o setor energético do país apresenta um quadro dramático, que poderá desencadear até em um novo período de racionamento, embora a possível crise não seja reconhecida pelo governo.
Outro lado
Apesar da Portaria do Ministério do Planejamento mostrar o contrário, a Eletrobras afirmou que bate recordes de investimentos todos os anos. No ano passado, segundo ela, investiu R$ 11,2 bilhões e neste ano, pretende aplicar R$ 14,2 bilhões. No entanto, ficou constatado, na Portaria referente ao sexto bimestre do ano passado, que a estatal só investiu R$ 7,2 bilhões no ano.
Além disso, o Grupo disse que o planejamento é feito para o ano todo, dessa forma, nem todos os meses precisam ter o mesmo valor de desembolso igualmente divididos, já que os investimentos variam de acordo com o cronograma dos projetos. Portanto, segundo a estatal, a baixa execução no primeiro semestre não a preocupa e não irá prejudicar as metas de investimentos.
